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segunda-feira, maio 25, 2026
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Caso Master: Operadores de fundo do filme de Bolsonaro abrem empresa em paraíso fiscal nos EUA

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Paulo Calixto e Altieris Santana, gestores do fundo Havengate, criaram nova estrutura societária em Dover; manobra em estado que opera como paraíso fiscal ocorre em meio a investigações da PF sobre desvios

Rota de investimentos do filme Dark Horse muda do Texas para Delaware; uso de leis de sigilo corporativo joga mais suspeitas sobre o destino do dinheiro do Banco Master. Foto Reprodução

Novos desdobramentos complicam a situação jurídica e política da família Bolsonaro no caso envolvendo o financiamento da cinebiografia Dark Horse. Documentos obtidos pela imprensa revelam que os controladores do fundo Havengate — que recebeu R$ 61 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro (Banco Master) para a produção do longa — abriram uma nova estrutura empresarial em Delaware, estado norte-americano amplamente conhecido por suas leis de sigilo corporativo e tributação favorecida, configurando um paraíso fiscal.

A movimentação financeira e societária ocorre em paralelo às investigações da Polícia Federal (PF), que apuram se os repasses milionários articulados pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) serviram, na verdade, para subsidiar despesas pessoais de seu irmão, Eduardo Bolsonaro, nos Estados Unidos.

A proximidade entre o senador Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro é o principal alvo das apurações da PF.. Fonte: PT-MG

A Rota de Delaware e o Escudo de Privacidade

A nova empresa, batizada de MCC-4 Equity Fund GP LLC, foi registrada na cidade de Dover, capital de Delaware, no dia 12 de fevereiro deste ano. Ela é administrada em conjunto pelo advogado de Eduardo Bolsonaro, Paulo Calixto, e pelo corretor de imóveis Altieris Santana. A dupla também é responsável pela gestão do fundo Havengate.

O registro chamou a atenção de investigadores porque rompe o padrão geográfico das atividades de Calixto e Santana. Até então, a grande maioria dos negócios administrados por eles concentrava-se nos estados do Texas e da Flórida. O próprio Havengate e outros dois fundos correlatos operam sob as leis texanas.

Diferente do Texas, que exige relatórios anuais detalhados e a divulgação explícita dos nomes dos responsáveis pelas empresas, Delaware permite a total omissão de informações sobre sócios e dados financeiros. A operação em Dover utiliza os serviços da agência A Registered Agent, uma firma especializada que promete em seus materiais institucionais entregar “o máximo de proteção à privacidade pessoal permitido por lei”.

Estrutura Espelho e o Papel das LLCs

Os documentos apontam que a nova firma de Delaware controla uma segunda ramificação localizada no Texas: a MCC-4 Equity Fund LP. Embora os registros públicos ocultem o objetivo comercial e a identidade de eventuais novos investidores parceiros, a arquitetura societária replica exatamente o modelo montado para o fundo do filme de Jair Bolsonaro.

Nesse formato de engenharia financeira:

  • A LLC (Limited Liability Company) atua como sócia ostensiva e assume toda a responsabilidade jurídica e civil pelos negócios;
  • A LP (Limited Partnership) funciona como o fundo de investimento propriamente dito, onde os sócios de responsabilidade limitada e os financiadores reais do capital permanecem anônimos e protegidos pelas regras de sigilo de Delaware.

Pressão Policial e Conexões Telefônicas

A descoberta da offshore em Delaware joga mais combustível nas investigações da PF sobre o fluxo do dinheiro do Banco Master. Entre fevereiro e maio de 2025, Daniel Vorcaro repassou os R$ 61 milhões ao fundo Havengate sob o pretexto de patrocinar o filme que traz o ator Jim Caviezel no papel principal.

Áudios interceptados e autorizados pela Justiça expuseram o senador Flávio Bolsonaro negociando os repasses de forma direta e pessoal com Vorcaro. Nas gravações, o parlamentar trata o banqueiro pelo termo “irmão” e assegura que ambos “estarão sempre juntos”.

A principal linha de apuração corre na esteira de um suposto desvio de finalidade: a PF rastreia se parte do montante milionário carimbado para a produção cultural foi ilegalmente desviado para custear a rotina e as contas de Eduardo Bolsonaro em solo americano. O ex-deputado nega qualquer irregularidade, enquanto Flávio Bolsonaro sustenta a tese de que os valores possuem natureza “100% privada”, sem qualquer interferência de incentivos fiscais do Estado brasileiro.

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