Investigação da Operação Compliance Zero aponta que parlamentar foi procurado sob a alegação de participar de uma “disputa política de repercussão nacional”, mas recusou a proposta após conhecer o conteúdo da campanha
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A 10ª fase da Operação Compliance Zero revelou que o grupo investigado por supostamente atuar em favor do banqueiro Daniel Vorcaro tentou recrutar o vereador Rony Gabriel (PL-RS) para participar de uma campanha nas redes sociais em defesa do Banco Master. A informação consta na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou as medidas cautelares da operação.
Segundo a Polícia Federal, o chamado “Projeto DV” — referência às iniciais de Daniel Vorcaro — tinha como objetivo contratar influenciadores digitais para divulgar conteúdos favoráveis ao Banco Master e direcionar críticas ao Banco Central do Brasil, além de atacar adversários do sistema financeiro e jornalistas que investigavam o caso.
INVESTIGAÇÃO
Conforme a decisão judicial, o vereador foi procurado por André Salvador, apontado como representante da empresa UNLTD Network Brazil Ltda., que apresentou a proposta como um trabalho de gerenciamento de reputação para um importante executivo e afirmou que o grupo buscava perfis nas redes sociais para participar de uma “disputa política de repercussão nacional”.
Ainda de acordo com o ministro André Mendonça, antes de conhecer o conteúdo do projeto, o vereador deveria assinar um acordo de confidencialidade com previsão de multa de R$ 800 mil em caso de descumprimento.
Após a assinatura, segundo a decisão, foi informado de que deveria gravar vídeos sustentando que o Banco Master teria sido vítima do Banco Central e que a liquidação da instituição financeira seria indevida. Conforme registrado no inquérito, o parlamentar recusou participar da campanha após tomar conhecimento do objetivo da ação.
A Polícia Federal afirma que o Projeto DV era coordenado pelo publicitário Thiago Miranda, alvo da operação, e integrava uma estratégia para influenciar a opinião pública durante as investigações envolvendo o Banco Master.
DECLARAÇÃO DO VEREADOR
Em vídeo publicado nas redes sociais, Rony Gabriel confirmou que prestou depoimento à Polícia Federal e afirmou ter sofrido ataques coordenados e ameaças após denunciar fatos relacionados ao caso.
Segundo o vereador, “eles estavam atacando a reputação, ameaçando e perseguindo não somente jornalistas, mas também aqueles que se recusavam a receber as vantagens financeiras que eles ofereciam”.
A decisão do STF cita o depoimento do parlamentar como um dos elementos considerados pela investigação para demonstrar a tentativa de recrutamento de influenciadores para atuar em favor dos interesses atribuídos ao grupo investigado.
DEFESA
Até o momento, não há informação de que André Salvador ou a empresa citada tenham se manifestado sobre as conclusões apresentadas pela Polícia Federal e mencionadas na decisão judicial. Thiago Miranda, por meio de sua defesa, nega ter praticado qualquer ilegalidade e afirma que sua atuação sempre ocorreu dentro da legalidade, argumento que será apresentado no decorrer do processo.




