
O número é semelhante a perdas de votos que o filho do presidente, Eduardo Bolsonaro registrou em relação a 2018. Ele ficou atrás de Guilherme Boulos (Psol), deputado mais votado do estado, com 1,01 milhão de votos
Ainda que a linha de frente do bolsonarismo tenha tido votos suficientes neste domingo (2) para tornar o Congresso ainda mais conservador, muitos dos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) e também dos que se arrependeram do apoio não passaram’ no teste das urnas.
Na Bahia, o cantor Netinho também se deu mal. O sucesso nos anos 1990 não foi suficiente para levar o bolsonarista à Câmara dos Deputados. Ele concorreu pelo PL, partido do presidente, e obteve somente cerca de 31 mil votos.
Dois candidatos negros, contrários à política de cotas, Fernando Holyday (militante do MBL) e Sérgio Camargo (ex-presidente da Fundação Palmares) também não se elegeram deputados federais.
O ex-presidente Fernando Collor de Melo, considerado um dos piores da história, apoiador ferrenho de Bolsonaro, concorreu ao cargo de governador por Alagoas, mas não chegou nem ao 2° turno. Ele obteve apenas 14,7% dos votos.
Outros apoiadores que fracassaram nas urnas são a influenciadora Antonia Fontenelle, a ex-paquita Andreia Sorvetão, ambas candidatas a deputada federal pelo Republicanos do Rio de Janeiro.
O ator pornô Kid Bengala não conseguiu uma vaga na Câmara por São Paulo, pelo União Brasil, teve somente cerca de 10 mil votos.
Também apoiador de Bolsonaro, o ex-presidente do Flamengo, Marcos Braz (PL), obteve somente 38 mil votos e não se elegeu deputado estadual.
Mais bolsonaristas derrotados nas urnas:
- Frederick Wassef, advogado da família Bolsonaro; o ator Felipe Folgosi; Eduardo Torres, irmão da primeira-dama Michele Bolsonaro; Cristina Bolsonaro, ex-mulher do presidente; a médica Nise Yamagushi, o ex-assessor de Bolsonaro, Fabrício Queiroz; o comentarista Adrilles Jorge; e o deputado estadual (SP) Douglas Garcia.
Bolsonaristas arrependidos também fracassam
Nomes que em 2018 engrossaram o coro bolsonarista também perderam a eleição.
- Alexandre Frota (PSDB), que se arrependeu e pediu desculpas pelo apoio, e Joice Hasselmann, que saiu do PSL e migrou para o PSDB fazendo pesadas críticas ao governo que apoiou, são dois exemplos.
Frota, deputado federal, havia se candidatado a uma vaga para a Assembleia Legislativa de São Paulo, mas obteve somente cerca de 24 mil votos, número insuficiente para ser eleito como deputado estadual.
- Já Hasselmann não conseguiu se reeleger. Se em 2018 ela havia tido uma expressiva votação de 1,07 milhão de votos, em 2022, obteve apenas 13,5 mil, ou seja, perdeu 98,7% de seus eleitores.
- O número é semelhante a perdas de votos que o filho do presidente, Eduardo Bolsonaro registrou em relação a 2018. Ele ficou atrás de Guilherme Boulos (Psol), deputado mais votado do estado, com 1,01 milhão de votos.
- O ex-ministro do Saúde Luiz Henrique Mandetta (União Brasil), que no começo da pandemia também abandonou o barco bolsonarista ao perceber que o negacionismo do presidente levaria (o que de fato aconteceu) à morte de milhares de brasileiros por Covid-19, se candidatou ao Senado pelo Mato Grosso, mas perdeu para a ex-colega, ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina (PP).
- Abraham Weintraub (PMB) e Arthur Weintraub (PMB), ex-aliados (Abraham foi um dos cinco ministros da Educação de Bolsonaro e Arthur foi assessor especial do governo) se candidataram à Câmara, mas também não passaram.
- Outro responsável por permitir que o país mergulhasse em uma das piores crises institucionais de todos os tempos, o ex-deputado Eduardo Cunha (MDB), que se candidatou a deputado por SP, teve pouco mais de 5 mil votos. Cunha foi responsável por dar andamento ao processo de impeachment de Dilma Rousseff. A ascensão da direita ao poder, pelas mãos do golpista Michel Temer (MDB), junto com a perseguição política a Lula e o impedimento de sua candidatura em 2018, resultaram na eleição de Bolsonaro, permitindo que a extrema-direita chegasse ao Planalto.
Seis anos depois do impeachment, o Ministério Público Federal arquivou o inquérito que apurada as ‘pedaladas fiscais’, argumento usado pelos golpistas para derrubar a presidenta.
- Outra articuladora do impeachment, a advogada Janaina Paschoal, deputada estadual (SP) mais votada em 2018, concorreu ao Senado mas conseguiu apenas 2% dos eleitores.
Fonte CUT/Brasil




