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terça-feira, fevereiro 3, 2026
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Delator diz à Justiça que atuou como informante de Moro e tinha poder para pedir grampos

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Uso de informantes, pedidos de grampos e reuniões informais colocam atuação do então juiz sob escrutínio do Supremo

Depoimentos gravados pela Justiça Federal em Curitiba revelam que um ex-colaborador da 13ª Vara Federal afirmou, diante de uma juíza, que não atuava como delator comum, mas como “informante” direto do então juiz Sergio Moro, hoje senador, e que tinha autonomia para solicitar interceptações telefônicas de pessoas de interesse das investigações conduzidas na Vara, fatos que agora são analisados em apuração no Supremo Tribunal Federal.

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Atuação da Lava Jato sob escrutínio do STF

Nos vídeos, o ex-colaborador relata que sua atuação extrapolaria os limites formais de uma colaboração premiada. Segundo ele, havia contato frequente com Moro para discutir os rumos das apurações e buscar novos alvos, inclusive pessoas que, em tese, não estariam sob a jurisdição da Justiça Federal de Curitiba. As declarações reforçam suspeitas de uso irregular de delatores e informantes para ampliar o alcance das investigações.

Ainda de acordo com o relato, Moro o chamava com frequência para reuniões informais, nas quais discutiam estratégias investigativas e a possibilidade de cooptação de novos delatores. Foto Marcelo Camargo/Agencia Brasil

O material se soma a outras acusações que apontam possíveis abusos e negligência institucional na condução de processos na Justiça Federal do Paraná durante o período em que Moro atuou como juiz. O senador é alvo de apuração no Supremo Tribunal Federal por suspeita de ter utilizado colaboradores para alcançar investigados que estariam fora de sua competência legal. Moro deixou a magistratura e assumiu mandato no Senado em 2023.

Em um dos trechos do depoimento, o ex-deputado estadual Tony Garcia descreve sua atuação como agente infiltrado. “Com o tempo, doutora Gabriela [Hardt], eu fui agente infiltrado do Ministério Público. Eu trabalhei por dois anos e meio diuturnamente, por 24 horas, tendo um agente da inteligência da Polícia Federal ao meu dispor, para eu pedir segurança e interceptação telefônica que colaborasse com a Justiça”, afirmou.

Ainda de acordo com o relato, Moro o chamava com frequência para reuniões informais, nas quais discutiam estratégias investigativas e a possibilidade de cooptação de novos delatores, o que, segundo a investigação em curso, pode caracterizar desvio de função e quebra de garantias legais.

A coluna procurou o senador Sergio Moro para comentar as declarações. A seguir, a íntegra da manifestação anteriormente divulgada pelo ex-juiz sobre o caso, conforme informado à época:

“A investigação em curso no Supremo Tribunal Federal é baseada em relatos fantasiosos do criminoso condenado Tony Garcia. A colaboração deste criminoso com o Ministério Público e a Justiça Federal remonta aos anos de 2004 e 2005, tendo então se encerrado. Não é possível comentar qualquer material do inquérito, já que não…”

A apuração no STF segue em andamento e analisa se houve irregularidades no uso de delações e informantes durante investigações conduzidas em Curitiba, bem como eventuais responsabilidades funcionais e institucionais.

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