Ex-ministro reage a levantamento e critica gestão estadual durante evento com empresários

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O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) afirmou nesta segunda-feira (30) que São Paulo “vai responder” ao seu projeto político após pesquisa indicar aproximação com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) na corrida eleitoral de 2026. O levantamento Atlas/Estadão aponta Haddad com 42,6% das intenções de voto, contra 49,1% do atual chefe do Executivo estadual.
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As declarações foram feitas durante o evento Safra Macro Day, promovido pelo Banco Safra, que reuniu representantes do mercado financeiro, especialistas e autoridades para discutir o cenário econômico e político do país. No painel, Haddad adotou tom crítico à atual gestão estadual e apresentou diretrizes de sua possível candidatura.
CRÍTICAS À EDUCAÇÃO E AO MODELO DE GESTÃO
Durante o discurso, Haddad questionou políticas adotadas pelo governo paulista, especialmente na área da educação, ao criticar a presença de militares em escolas.
“São Paulo tem que liderar a educação brasileira. É o estado mais rico do país, mas não colhe resultados em qualidade. Essa coisa de militar ir para a sala de aula, eu acho que estamos trocando os pés pelas mãos”, afirmou.
Ele também disse que há uma “mistura de funções” entre segurança pública e educação, classificando a estratégia como “uma fantasia” voltada a agradar o eleitorado.
Na sequência, demonstrou confiança eleitoral: “Nós temos muitas oportunidades. São Paulo é um estado espetacular. Tenho muita confiança de que podemos ir firmes com o projeto para São Paulo, que São Paulo vai responder”.
CENÁRIO ELEITORAL EM ABERTO
A pesquisa Atlas/Estadão indica uma disputa competitiva já no primeiro turno. Além de Haddad e Tarcísio, aparecem Kim Kataguiri (Missão), com 5%, e Paulo Serra (PSDB), com 1,2%. Brancos e nulos somam 1,5%, enquanto 0,6% não souberam responder.
O levantamento ouviu 2.254 eleitores entre os dias 24 e 27 de março, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
DISPUTA POR NARRATIVA E INTERESSES POLÍTICOS
O avanço de Haddad nas pesquisas intensifica a polarização em São Paulo, maior colégio eleitoral do país e centro econômico estratégico. Nos bastidores, aliados de Tarcísio avaliam que a antecipação do debate eleitoral pode pressionar a gestão estadual a acelerar entregas e programas de impacto direto.
Já o campo ligado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva vê na candidatura de Haddad uma oportunidade de retomar protagonismo no estado, após sucessivas derrotas eleitorais. A disputa também envolve interesses econômicos relevantes, com atenção do mercado financeiro e de setores empresariais às propostas de ambos os lados.
Analistas apontam que temas como segurança pública, educação e infraestrutura devem dominar o debate, além da influência direta do cenário nacional sobre a eleição paulista.




