Investigação sobre morte de Luiz Philippi Mourão depende de vídeos da carceragem e decisão do STF

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O Instituto Médico Legal de Minas Gerais solicitou acesso às imagens da carceragem da Polícia Federal para concluir o laudo sobre a morte de Luiz Philippi Mourão, conhecido como “Sicário”, preso em operação que investiga o entorno do empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master. Mourão morreu enquanto estava sob custódia da PF no estado.
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O pedido foi feito no âmbito da apuração conduzida pelo órgão pericial, responsável tanto pela necropsia quanto pelo exame toxicológico. As imagens são consideradas fundamentais para esclarecer as circunstâncias da morte, registrada dentro da carceragem.
DECISÃO NO STF
Para liberar o material, a PF solicitou autorização ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, relator do caso. A decisão sobre o compartilhamento das imagens ainda está pendente.
Até o momento, segundo apuração, a principal linha investigativa aponta para suicídio. Mourão teria tentado se enforcar duas vezes, chegou a ser socorrido, mas morreu posteriormente em um hospital.
PERÍCIAS E INVESTIGAÇÃO
A investigação já ouviu ao menos 11 pessoas e realizou perícias no local, nas roupas e no celular utilizado pelo preso para contato com familiares e advogados. O laudo preliminar das vestimentas descartou a presença de substâncias químicas que pudessem ter induzido ao suicídio.
O exame toxicológico ainda está em andamento e deve indicar se havia alguma substância no organismo da vítima.
CONTEXTO DO CASO
Mourão foi preso durante a Operação Compliance Zero, deflagrada em março, sob suspeita de integrar uma estrutura descrita pela PF como “milícia privada” ligada ao empresário Daniel Vorcaro. Segundo as investigações, ele teria atuado na coleta de informações sobre desafetos, inclusive com acesso a bases de dados oficiais.
Dados analisados pela investigação apontam que o patrimônio de Mourão teria crescido de R$ 2,9 milhões para R$ 8,4 milhões entre 2019 e 2024, apesar de renda formal inferior ao valor acumulado. Entre os bens declarados estavam veículos e relógios de alto valor.
ANÁLISE
A morte de um investigado sob custódia federal amplia a pressão por transparência no caso e levanta questionamentos sobre os protocolos de monitoramento em unidades da PF. O acesso às imagens da carceragem pode ser determinante para validar ou contestar a hipótese de suicídio, além de esclarecer eventuais falhas operacionais ou responsabilidades institucionais no episódio.




