Programa federal já soma cerca de 200 mil pedidos de renegociação; equipe econômica também promete ampliar acordo para dívidas do Fies e liberar estímulos a consumidores adimplentes

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O programa Desenrola 2.0, lançado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para renegociação de dívidas bancárias, está próximo de atingir R$ 1 bilhão em débitos renegociados. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (11) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan.
Segundo o ministro, cerca de 200 mil pedidos já foram encaminhados às instituições financeiras participantes. Aproximadamente metade das operações estaria em fase final de conclusão. O programa atende consumidores com renda mensal de até cinco salários mínimos, atualmente equivalente a R$ 8.105.
Além da renegociação para pessoas físicas, o governo confirmou que prepara a expansão do programa para estudantes inadimplentes do Fundo de Financiamento Estudantil. De acordo com Durigan, a modalidade deve estar “totalmente operativa” ainda nesta semana. A equipe econômica estima alcançar mais de 1 milhão de estudantes endividados.
O novo pacote também inclui um movimento político e econômico menos esperado: a criação de mecanismos de estímulo para consumidores que mantiveram pagamentos em dia. O governo estuda uma espécie de “prêmio” para adimplentes, embora ainda não tenha detalhado o formato da medida.
Nos bastidores do Ministério da Fazenda, a avaliação é que o governo busca evitar críticas recorrentes de setores financeiros e parte da classe média que consideram programas de renegociação excessivamente concentrados em inadimplentes. A iniciativa tenta equilibrar o discurso social com sinais de responsabilidade fiscal e incentivo ao crédito saudável.
O Desenrola 2.0 permite renegociação de dívidas bancárias contratadas até 31 de janeiro de 2026, com atraso entre 90 dias e dois anos. Estão incluídas dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal — justamente algumas das modalidades com maiores taxas de juros do sistema financeiro brasileiro.
As condições oferecidas variam conforme o perfil da dívida. Os descontos podem chegar a 90%, com juros limitados a 1,99% ao mês e parcelamento em até 48 meses. O programa estabelece teto de R$ 15 mil renegociados por pessoa em cada banco.
Outra medida considerada estratégica pelo governo é a autorização para uso de parte do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço no pagamento das dívidas. O trabalhador poderá utilizar até 20% do saldo disponível ou R$ 1 mil, prevalecendo o maior valor.
A aposta da equipe econômica é reduzir a dependência das famílias de linhas emergenciais com juros elevados e reativar o consumo interno. Dados recentes do Banco Central do Brasil apontam que o comprometimento da renda das famílias com dívidas segue em patamar elevado, especialmente nas operações ligadas ao crédito rotativo.
O programa foi dividido em quatro frentes: Desenrola Famílias, Desenrola Fies, Desenrola Empresas e Desenrola Rural. O governo prevê uma mobilização nacional de 90 dias para ampliar as renegociações e tentar reduzir a inadimplência em larga escala.




