Guerra na extrema direita explode em São Paulo após Ricardo Salles acusar Eduardo Bolsonaro de receber até R$ 60 milhões

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Filho de Jair Bolsonaro promete resposta ao ex-ministro, que atacou PL, Valdemar Costa Neto e André do Prado em disputa por vaga ao Senado em São Paulo. Foto Fabio Rodrigues Pozzebom/Agencia Brasil

Disputa pelo Senado em 2026 aprofunda racha no bolsonarismo paulista, envolve Tarcísio, Valdemar Costa Neto, Michelle Bolsonaro e expõe crise de liderança dentro da direita radical

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A extrema direita brasileira mergulhou em uma guerra pública neste fim de semana após o deputado federal Ricardo Salles acusar Eduardo Bolsonaro de ter recebido entre R$ 20 milhões e R$ 60 milhões para desistir da disputa ao Senado por São Paulo e apoiar o presidente da Alesp, André do Prado.

A acusação foi feita durante entrevista ao podcast IronTalks e rapidamente incendiou redes sociais ligadas ao bolsonarismo. Até o momento, Salles não apresentou documentos públicos ou provas materiais que sustentem a denúncia.

Eduardo Bolsonaro reagiu anunciando vídeo-resposta nas redes sociais e acusou Salles de atacar aliados enquanto preserva figuras do Centrão e setores da direita tradicional. Em tom de confronto direto, afirmou que “há coisas que passam do limite”.

Disputa revela implosão da direita paulista

O embate expõe uma disputa interna cada vez mais agressiva dentro do campo bolsonarista em São Paulo, considerado estratégico para a eleição presidencial de 2026. A guerra envolve não apenas a vaga ao Senado, mas também controle partidário, influência sobre o eleitorado conservador e acesso à máquina política paulista.

Nos bastidores, aliados do governador Tarcísio de Freitas tentam evitar que a crise fragilize o projeto nacional da direita em São Paulo. Salles, porém, deixou claro que pretende ocupar uma das vagas ao Senado e afirmou publicamente que “uma vaga é minha e a outra é do Tarcísio”.

A declaração irritou setores do PL ligados a Jair Bolsonaro, que enxergam no discurso de Salles uma tentativa de desafiar diretamente o núcleo familiar bolsonarista.

A crise também evidencia fissuras entre grupos ideológicos da extrema direita: bolsonaristas radicais, setores liberais ligados ao Novo, alas do agronegócio, policiais conservadores e operadores do Centrão disputam espaço e influência dentro da futura coalizão eleitoral.

Acusações cruzadas e disputa por narrativa

Salles passou a intensificar ataques contra Eduardo Bolsonaro nos últimos dias, afirmando que o filho do ex-presidente teria abandonado o Brasil para “cuidar dos negócios nos Estados Unidos” após criar dificuldades políticas para si próprio.

Em resposta, Eduardo acusou Salles de agir em sintonia com adversários políticos e de utilizar ataques pessoais para se viabilizar eleitoralmente. O deputado licenciado também sugeriu que o ex-ministro estaria se aproximando de setores antes criticados pelo bolsonarismo.

O vereador Carlos Bolsonaro saiu em defesa do irmão e afirmou que existe uma estratégia contínua para desgastar o sobrenome Bolsonaro. Segundo ele, os ataques variam conforme a conveniência política do momento.

Já o deputado Mário Frias acusou Salles de promover um “festival de ofensas e difamações” e afirmou que Eduardo atua para fortalecer o grupo bolsonarista dentro do partido.

Bastidores envolvem Centrão e controle do PL

A disputa revela também o peso crescente do Centrão dentro do bolsonarismo paulista. O apoio de Eduardo Bolsonaro a André do Prado foi interpretado por aliados de Salles como aproximação definitiva com o grupo político de Valdemar Costa Neto.

Nos bastidores, lideranças da direita avaliam que o conflito envolve controle de recursos eleitorais, distribuição de candidaturas e influência sobre o futuro comando do campo conservador caso Jair Bolsonaro permaneça inelegível.

O episódio ainda ampliou tensões entre aliados do próprio ex-presidente. Reportagens anteriores apontaram desconforto de Bolsonaro com o plano de Eduardo de apoiar André do Prado, já que o ex-presidente preferia o nome do vice-prefeito paulistano, Mello Araújo.

A primeira-dama do PL, Michelle Bolsonaro, também teria atuado nos bastidores para vetar nomes ligados a outras alas do partido, aprofundando a fragmentação interna.

Sem provas públicas

Apesar da repercussão política, a acusação sobre suposto pagamento milionário a Eduardo Bolsonaro segue sem comprovação pública. Não foram apresentados contratos, transferências financeiras, delações ou documentos que sustentem a denúncia feita por Ricardo Salles.

Até a publicação desta reportagem, não havia manifestação oficial localizada do PL, de André do Prado ou de Valdemar Costa Neto sobre as declarações do deputado do Novo.

O caso ocorre em meio ao enfraquecimento político e institucional de Eduardo Bolsonaro. O portal oficial da Câmara dos Deputados registra que ele não está em exercício parlamentar em 2026, após perda de mandato declarada pela Mesa Diretora no fim de 2025.

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