Medidas cautelares também miram Eduardo, Carlos, Jair Renan, Mário Frias e Cláudio Castro

Brasília — O deputado federal Reimont (PT-RJ) protocolou uma representação formal junto à Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitando o bloqueio imediato de bens e a apreensão dos passaportes do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), de seus irmãos Eduardo, Carlos e Jair Renan, do deputado federal Mário Frias (PL-SP) e do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro.
O movimento jurídico busca conter o que o parlamentar classifica como um “iminente risco de fuga”, motivado por uma viagem internacional programada por Flávio Bolsonaro em meio ao avanço de investigações da Polícia Federal (PF). O caso apura um suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e peculato conectado ao Banco Master e a desvios no fundo de previdência dos servidores fluminenses, o Rioprev.
“Esses homens podem ser uma rede de distribuição de recursos que precisam ser rastreados para que o dinheiro dos aposentados e pensionistas seja reintegrado ao Rioprev”, afirmou Reimont ao anunciar a medida.
Viagem aos EUA acende alerta de evasão
O estopim para o pedido de medidas cautelares foi a viagem de Flávio Bolsonaro para Washington, nos Estados Unidos, agendada para a próxima segunda-feira (25). Oficialmente, a assessoria do senador informou que a agenda trata de uma tentativa de reunião com o presidente norte-americano Donald Trump. A articulação estaria sendo feita pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e pelo deputado Eduardo Bolsonaro — que tem residência no país. Até o momento, a Casa Branca não confirmou o encontro de forma oficial.
Para o deputado Reimont, a justificativa política mascara uma tentativa de deixar a jurisdição brasileira em um momento crítico das apurações. O parlamentar argumenta que o deslocamento exacerba o risco de fuga, especialmente após a prisão de Daniel Vorcaro, banqueiro ligado ao grupo financeiro investigado, o que elevou a temperatura jurídica sobre o núcleo familiar e político do ex-presidente.
O elo financeiro: Rioprev, Banco Master e Cinema
As suspeitas que baseiam a peça jurídica apontam para uma complexa triangulação financeira de quase R$ 1 bilhão. Mensagens, áudios e documentos em posse das autoridades indicam que o governo do Estado do Rio de Janeiro direcionou cerca de R$ 1 bilhão em ativos do Rioprev para fundos geridos pelo Banco Master.
Paralelamente a esses aportes públicos, investigadores identificaram transferências privadas que somam R$ 61 milhões realizadas por Daniel Vorcaro para contas ligadas a Flávio Bolsonaro.
A linha de investigação trabalha com a tese de que parte expressiva desses recursos foi pulverizada e lavada por meio do financiamento do filme Dark Horse, uma produção cinematográfica inspirada na trajetória de Jair Bolsonaro.
[Rioprev (Governo RJ)] ──(R$ 1 Bilhão)──> [Fundos do Banco Master (Vorcaro)]
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(R$ 61 Milhões)
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[ONGS / Produtora GoUp] <──(Emendas)── [Flávio Bolsonaro & Aliados]
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└───> Financiamento do Filme 'Dark Horse'
A produtora responsável pelo longa-metragem, a GoUp Entertainment, pertence a Karina Ferreira da Gama. Ela também aparece na presidência de Organizações Não Governamentais (ONGs) que, segundo a denúncia, receberam emendas parlamentares milionárias carimbadas por deputados da ala bolsonarista, configurando indícios de desvio de finalidade do dinheiro público (peculato).
Notificação frustrada no exterior amplia suspeitas
O cerco jurídico também se estendeu ao deputado federal Mário Frias (PL-SP). Intimado pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), para prestar esclarecimentos sobre o direcionamento de suas emendas parlamentares para as ONGs ligadas à produtora de Dark Horse, Frias não foi localizado.
A Câmara dos Deputados informou que o endereço oficial fornecido pelo parlamentar para notificações estava desatualizado, impossibilitando o cumprimento do mandado. Frias encontra-se atualmente no Bahrein, alegando cumprimento de agenda institucional — justificativa que foi formalmente negada pela mesa diretora da Câmara. O episódio foi utilizado por Reimont na representação para demonstrar que o grupo já adota manobras para driblar as notificações da Justiça brasileira.
Próximos Passos
A representação agora aguarda análise da Procuradoria-Geral da República, que decidirá se acolhe os pedidos de busca, apreensão de passaportes e indisponibilidade de bens, ou se os remete para análise do Supremo Tribunal Federal, onde já tramitam petições correlatas de outros parlamentares sobre o mesmo escândalo financeiro.
A defesa do senador Flávio Bolsonaro vem negando publicamente qualquer irregularidade. Em manifestações anteriores sobre o caso, o senador admitiu ter dialogado com agentes financeiros em busca de patrocínio privado para a produção do filme, mas garantiu que todas as tratativas ocorreram estritamente dentro da legalidade, rechaçando qualquer vinculação com fraudes bancárias ou uso de recursos previdenciários.




