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Lula comemora aprovação do fim da escala 6×1 e governo transforma PEC em bandeira política

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Presidente articula base aliada, pressiona Câmara e celebra aprovação histórica da redução da jornada de trabalho; oposição critica impacto econômico da medida

Nos últimos meses, Lula mobilizou ministros, líderes partidários e deputados da base aliada, além de intensificar campanhas institucionais em defesa da redução da jornada Foto Ricardo Stuckert/PR

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva celebrou na noite desta quarta-feira (27) a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6×1 no Brasil. O texto foi aprovado pela Câmara dos Deputados com 461 votos favoráveis e 19 contrários, reduzindo a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, garantindo dois dias de descanso remunerado e proibindo redução salarial.

A proposta segue agora para análise do Senado Federal e se tornou uma das principais vitrines políticas do governo federal em 2026. Nos bastidores de Brasília, a aprovação é tratada pelo Palácio do Planalto como uma resposta direta à pressão popular por melhores condições de trabalho e qualidade de vida.

Em publicação nas redes sociais, Lula classificou a aprovação como uma “conquista histórica e civilizatória”. “Mais do que horas no relógio, estamos devolvendo aos trabalhadores e trabalhadoras o direito ao convívio com a família. Ao descanso. À vida além do trabalho”, escreveu o presidente.

O governo atuou diretamente para acelerar a tramitação da proposta. Nos últimos meses, Lula mobilizou ministros, líderes partidários e deputados da base aliada, além de intensificar campanhas institucionais em defesa da redução da jornada. O presidente também costurou um acordo político com Hugo Motta [Republicanos-PB], que permitiu a construção de ampla maioria no plenário.

ACORDO POLÍTICO E PRESSÃO SOCIAL

A PEC aprovada reúne pontos de propostas anteriores apresentadas por Reginaldo Lopes [PT-MG] e Erika Hilton [PSOL-SP]. O texto final foi relatado por Leo Prates [Republicanos-BA], que retirou a proposta de escala 4×3, considerada por setores empresariais e parte do Congresso como inviável no atual cenário econômico.

Pelo texto aprovado, após 60 dias da promulgação da emenda, os trabalhadores passarão a ter direito a dois dias de descanso semanal e a jornada cairá de 44 para 42 horas. Em um período de 14 meses, a carga horária será reduzida definitivamente para 40 horas semanais.

A aprovação ocorreu após forte mobilização sindical e campanhas nas redes sociais impulsionadas por movimentos trabalhistas, influenciadores digitais e centrais sindicais. Parlamentares governistas afirmam que a pauta ganhou força principalmente entre trabalhadores do comércio, supermercados, telemarketing e serviços terceirizados, setores tradicionalmente submetidos à escala 6×1.

A deputada Dandara [PT-MG], durante a votação, relembrou sua experiência trabalhando no comércio. “Eu conheço o barulho do ônibus lotado às 5h da manhã, o pé inchado de tanto ficar em pé. A escala 6×1 não cabe na vida das pessoas”, afirmou.

Já Alice Portugal [PCdoB-BA] classificou a aprovação como resultado de uma luta histórica do movimento sindical brasileiro.

OPOSIÇÃO DIVIDIDA E IMPACTO ECONÔMICO

Apesar da ampla aprovação, o debate expôs divisões dentro da oposição e até entre parlamentares ligados ao setor empresarial. Parte da bancada conservadora votou favoravelmente à PEC, inclusive deputados do PL, PP e Republicanos.

Entre os parlamentares que votaram contra a proposta estão Kim Kataguiri [Missão-SP], Ricardo Salles [Novo-SP], Marcel van Hattem [Novo-RS] e Rosangela Moro [PL-SP].

Deputados contrários afirmam que a redução da jornada poderá elevar custos operacionais, pressionar pequenas empresas e gerar aumento da informalidade. O deputado Kim Kataguiri declarou que “não vai mentir para o trabalhador dizendo que a PEC acabará automaticamente com a precarização”.

Mesmo assim, a ampla votação favorável mostrou dificuldade da oposição em enfrentar uma pauta de forte apelo popular. Nos corredores do Congresso, aliados do governo avaliam que o tema pode ter impacto eleitoral relevante nas eleições municipais e nacionais, especialmente entre trabalhadores urbanos.

O texto ainda poderá sofrer alterações no Senado. Caso aprovado sem mudanças, a PEC será promulgada pelo Congresso Nacional e passará a integrar a Constituição Federal.

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