Sem acordo entre os dois países, governo norte-americano deve definir a aplicação de sobretaxa de 25% sobre parte das exportações brasileiras.
Sem perspectiva de um acordo de última hora, vence nesta quarta-feira (15) o prazo estabelecido pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para decidir sobre a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano. As negociações seguem travadas por divergências envolvendo o sistema Pix, o etanol e o açúcar.
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Especialistas ouvidos pela Agência Brasil avaliam que o impasse vai além das questões comerciais e reflete um contexto de tensões políticas e estratégicas entre os dois países. Segundo eles, a proposta de sobretaxa ocorre em meio à política do governo do presidente Donald Trump de ampliar a influência dos Estados Unidos na América Latina e reduzir a presença econômica da China na região.
NEGOCIAÇÕES
Entre os principais pontos de discordância está a exigência dos Estados Unidos para que o Brasil reduza barreiras à entrada do etanol norte-americano. O governo brasileiro, por sua vez, defende que o tema fique fora das negociações, argumentando que a abertura do mercado pode afetar a produção nacional, especialmente nas regiões produtoras de cana-de-açúcar.
Como alternativa, o Brasil propõe que os Estados Unidos eliminem ou reduzam as sobretaxas aplicadas ao açúcar brasileiro, atualmente próximas de 100%. Para o governo federal, as duas cadeias produtivas estão diretamente relacionadas e devem ser tratadas de forma conjunta.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que a adoção da tarifa adicional prejudicaria uma relação comercial considerada estratégica para ambos os países e reduziria o espaço para o diálogo. Segundo ele, o governo brasileiro contestou formalmente as alegações apresentadas pelo USTR sobre supostas práticas comerciais desleais.
Representantes da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), da União Nacional do Etanol de Milho e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também defendem a posição do governo brasileiro. As entidades afirmam que a redução das importações de etanol dos Estados Unidos decorre principalmente do crescimento da produção nacional, e não das tarifas atualmente praticadas.
Até o fechamento desta reportagem, não havia confirmação sobre eventual adiamento da decisão ou anúncio de um acordo entre os governos brasileiro e norte-americano.




