PGE argumenta que levantamento da AtlasIntel sobre queda de Flávio Bolsonaro (PL) deve ser mantido; plenário do TSE julga nesta terça-feira se derruba decisão individual de Nunes Marques

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O ministro Kassio Nunes Marques, atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pode sofrer sua primeira derrota no comando da Corte nesta terça-feira. A Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) defendeu que o tribunal derrube a decisão monocrática do magistrado que censurou a divulgação da pesquisa do Instituto AtlasIntel.
O levantamento, realizado em maio, revelou uma queda de cinco pontos percentuais nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República, logo após o vazamento de um áudio em que o parlamentar solicita dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para o financiamento de um filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro (PL).
Interesses econômicos e blindagem política na mira do tribunalA suspensão da pesquisa atendeu a uma representação jurídica do Partido Liberal (PL), legenda controlada por setores da extrema-direita e pelo poder financeiro. Kassio Nunes Marques, indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo governo anterior, acolheu o argumento dos advogados de Flávio Bolsonaro (PL), alegando que o questionário “induzia” respostas negativas ao correlacionar as denúncias de corrupção e os pedidos de fundos a banqueiros com a intenção de voto dos trabalhadores.
O roteiro de perguntas questionado abordava a fraude financeira, o papel de Daniel Vorcaro e as ligações promíscuas entre o capital financeiro — representado pelo Banco Master — e a cúpula política da família Bolsonaro, o que foi classificado pelo ministro como “propaganda negativa”.
Para representantes da oposição e movimentos sociais, a decisão individual de Nunes Marques representa um ato de blindagem política e midiática que tenta esconder do eleitorado o desgaste de candidaturas comprometidas com a agenda neoliberal e com o favorecimento das elites banqueiras.
O Instituto AtlasIntel ouviu 5.032 eleitores entre os dias 13 e 18 de maio, com margem de erro de um ponto percentual e nível de confiança de 95%. O plenário do TSE avaliará o parecer da PGE e decidirá se mantém a mordaça contra os dados que revelam a insatisfação popular ou se restabelece o direito à informação diante das denúncias que envolvem o sistema financeiro privado e a pré-campanha do senador fluminense.</OUÇA>




