Prefeito Ricardo Nunes aborda Haddad após debate e cobra explicações sobre acusações envolvendo contrato de Wi-Fi

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Prefeito de São Paulo segurou o braço de Haddad na saída da Band; intervenção de advogado evitou que o confronto físico avançasse

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O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), abordou Fernando Haddad (PT) na saída do debate da Band realizado neste domingo (9) e cobrou explicações pelas declarações feitas pelo petista durante o confronto. Nunes segurou Haddad pelo braço durante a discussão, e o advogado Marco Aurélio de Carvalho, do Grupo Prerrogativas, interveio para afastar os dois e impedir que a situação se agravasse. O episódio ocorreu logo após Haddad mencionar suspeitas envolvendo um contrato de Wi-Fi firmado pela Prefeitura de São Paulo.

Durante as considerações finais, Haddad criticou a parceria política entre Nunes e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e associou o contrato de internet gratuita a uma investigação sobre possíveis desvios de recursos. O petista afirmou que a apuração deveria esclarecer se houve irregularidades e citou também a produção do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro (PL).

“Não sou eu que digo que tem ou não tem. Isso está sendo investigado. Cheira mal… mas nem tudo que cheira mal pode ser explicado. Mas que é esquisito, é”, afirmou Haddad posteriormente, ao comentar o contrato.

Nunes cobra Haddad após o confronto

Depois do debate, Nunes confirmou que procurou Haddad para questionar as declarações.

“Eu fui falar para ele ter responsabilidade e ser homem. E não ter esse tipo de atitude de algo que não existe absolutamente nada de errado da minha parte”, afirmou o prefeito.

Nunes disse ter ficado particularmente incomodado com a associação entre seu nome e as suspeitas envolvendo o contrato de Wi-Fi.

“Eu fui falar com ele que não é correto ele relacionar a questão do contrato de Wi-Fi comigo. Disse para ele que não deve fazer isso comigo porque não há nada de errado da minha parte”, declarou.

O prefeito também criticou o histórico eleitoral de Haddad e afirmou que o petista estaria “faltando com a verdade”.

A discussão, entretanto, ganhou uma dimensão diferente quando Nunes segurou o braço do ex-prefeito. A intervenção de terceiros encerrou o contato físico antes que o episódio evoluísse para uma agressão mais grave.

O que está sendo investigado no contrato de Wi-Fi

O contrato mencionado por Haddad envolve o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e foi firmado em 2024 pela Prefeitura de São Paulo. O acordo tem valor de aproximadamente R$ 108 milhões e previa a implantação de milhares de pontos de Wi-Fi gratuito na capital.

O caso está sob investigação da Polícia Civil. Segundo informações divulgadas durante a apuração, existem suspeitas relacionadas à execução do contrato e à prestação de contas apresentada pelo instituto. Em maio, a polícia abriu inquérito para investigar possíveis fraudes no acordo.

Em julho, a própria Prefeitura de São Paulo questionou R$ 13,4 milhões em notas fiscais apresentadas pelo ICB na prestação de contas. O instituto é presidido por Karina Ferreira da Gama, que também é ligada à produtora do filme “Dark Horse”.

Uma das linhas investigativas apura justamente a possível utilização de recursos relacionados ao contrato de Wi-Fi em atividades que não estariam previstas no objeto da parceria. A Polícia Civil chegou a apontar suspeitas de confusão patrimonial e possível desvio de recursos públicos para atividades relacionadas à produção do filme. Essas são suspeitas em investigação e não uma conclusão definitiva de que houve desvio.

Outro ponto identificado em documentos analisados pela investigação é uma divergência entre o objeto descrito no contrato e o programa de Wi-Fi anunciado pela Prefeitura. O instrumento previa um estudo técnico para implantação de um centro de inovação e cinco áreas-piloto, enquanto o programa divulgado pela administração municipal envolvia a instalação de milhares de pontos de internet.

Relação com o filme sobre Bolsonaro

A ligação entre o contrato público e o filme “Dark Horse” é um dos aspectos que despertaram atenção na investigação.

O ICB é presidido por Karina Ferreira da Gama, que também aparece ligada à produtora responsável pelo longa sobre Jair Bolsonaro. A conexão entre a entidade que recebeu os recursos públicos e a produtora cinematográfica passou a ser analisada pelas autoridades.

Reportagem do Intercept também apontou que o contrato de R$ 108 milhões foi firmado com uma organização que não tinha experiência anterior relevante na área de Wi-Fi e que parte dos pagamentos teria ocorrido antes da efetiva instalação dos pontos previstos. A Prefeitura contestou as conclusões e afirmou que o procedimento de contratação foi regular.

Mais recentemente, documentos analisados pela imprensa indicaram questionamentos sobre notas fiscais apresentadas na prestação de contas do contrato. A existência desses questionamentos, contudo, não significa que Ricardo Nunes tenha sido responsabilizado criminalmente pelo eventual destino dos recursos.

Essa distinção é importante porque Haddad, durante o debate, associou politicamente o prefeito ao episódio, enquanto a investigação busca determinar responsabilidades individuais e eventuais irregularidades na execução do contrato.

Prefeitura contesta irregularidades

A gestão de Ricardo Nunes tem negado irregularidades no contrato e sustentado que a contratação do Instituto Conhecer Brasil seguiu as regras estabelecidas no chamamento público.

Em manifestações anteriores, a Prefeitura também rejeitou a associação direta entre o programa Wi-Fi Livre SP e o financiamento do filme sobre Bolsonaro, afirmando que o município não financiou a produção cinematográfica.

A investigação, por sua vez, continua analisando documentos, pagamentos e relações entre as empresas e entidades envolvidas.

Debate termina fora das câmeras

O episódio entre Nunes e Haddad expôs, fora do palco, a tensão que marcou o debate entre os candidatos ao governo paulista.

Haddad procurou utilizar a investigação sobre o contrato de Wi-Fi como elemento de crítica à gestão municipal e à aproximação política entre Nunes e Tarcísio. Nunes reagiu imediatamente após o encerramento da transmissão, afirmando que não aceitaria ser associado às suspeitas.

O confronto físico, ainda que interrompido rapidamente, acrescentou um novo capítulo à disputa política paulista. A discussão que começou diante das câmeras terminou nos corredores da emissora, obrigando integrantes das duas equipes e um advogado a intervir.

O ponto central que permanece sob investigação é se houve irregularidade na execução e na prestação de contas do contrato de Wi-Fi e, em caso positivo, quem teria responsabilidade pelos eventuais desvios. Até que as investigações sejam concluídas, acusações de desvio devem ser tratadas como suspeitas, e não como fatos definitivamente comprovados.

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