Investigadores apuram por que arma registrada em nome do ex-presidente circulava sem documento e longe de sua residência

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O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) prestou depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal na tarde desta terça-feira (23), em sua residência em Brasília, onde cumpre prisão domiciliar. A oitiva foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de um inquérito que apura a apreensão de uma pistola Glock 9mm registrada em nome do político. A arma foi localizada na semana passada no veículo de um militar de sua equipe de segurança, sem o Certificado de Registro de Arma de Fogo (Craf) exigido por lei.
A abordagem ocorreu na madrugada de 15 de junho, quando a Polícia Militar interceptou o automóvel conduzido por Estácio Leite da Silva Filho, militar vinculado ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI), em Taguatinga, a 33 quilômetros da casa de Bolsonaro. O ministro Alexandre de Moraes negou o pedido da Polícia Civil para que o ato ocorresse por videoconferência, justificando que o ex-presidente cumpre restrições que impedem o uso de meios de comunicação eletrônicos, e ordenou o deslocamento presencial dos agentes.
Os investigadores buscam esclarecer quem entregou o armamento ao segurança, quando e por qual motivo o transporte era realizado. O episódio ocorre na mesma semana em que se encerra o prazo de 90 dias da prisão domiciliar humanitária concedida a Bolsonaro para tratamento de uma broncopneumonia, decorrente de sua condenação a 27 anos e três meses de prisão por trama golpista. As informações colhidas no depoimento serão compartilhadas com o STF e podem influenciar a decisão de Moraes sobre o retorno do ex-presidente ao regime fechado ou a manutenção do recolhimento residencial.
A defesa de Bolsonaro protocolou uma manifestação no STF alegando que a equipe de segurança havia retirado o percussor da pistola por precaução, devido ao uso de medicamentos psiquiátricos pelo ex-presidente. Ao notar o mau funcionamento, o político teria solicitado o reparo sem saber da irregularidade documental. Os advogados sustentam que a posse da arma é regular desde 2019 e que o cliente cooperou integralmente com as autoridades, informando que não possui interesse na restituição do objeto.




