Ex-Deputado citou operações apoiadas pelos Estados Unidos na Venezuela, Equador e Colômbia e questionou situação do Brasil em publicação nas redes sociais
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O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro publicou nas redes sociais uma mensagem em que cita operações de segurança realizadas na América Latina com participação ou apoio dos Estados Unidos e, ao final, faz a pergunta: “E o Brasil de Lula?”. A publicação provocou reações entre apoiadores e críticos do parlamentar por sugerir uma comparação entre ações de combate ao crime organizado em outros países e a situação brasileira.
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Na postagem, Eduardo Bolsonaro menciona a operação anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que resultou na morte de Héctor Guerrero Flores, conhecido como “Niño Guerrero”, apontado como líder da organização criminosa Tren de Aragua. Segundo autoridades americanas, a ação contou com coordenação de agentes venezuelanos.
O parlamentar também citou medidas adotadas pelo governo do Equador, liderado por Daniel Noboa, no enfrentamento ao narcotráfico e às organizações criminosas. O país tem ampliado operações de segurança nos últimos anos em meio ao aumento da violência ligada ao crime organizado.
O que dizem especialistas sobre uma eventual intervenção dos EUA no Brasil
Especialistas em Direito Internacional, Relações Internacionais e Defesa afirmam que uma intervenção militar dos Estados Unidos em território brasileiro sem autorização do governo brasileiro seria considerada uma violação da soberania nacional e das normas da Organização das Nações Unidas (ONU). Na prática, um cenário de invasão militar direta é considerado extremamente improvável devido ao peso econômico, político e militar do Brasil na América Latina.
Pesquisadores lembram que intervenções militares diretas dos Estados Unidos na América Latina ocorreram em diversos momentos do século XX, como em Panamá, Granada e República Dominicana. Entretanto, o contexto geopolítico atual é considerado muito diferente. O Brasil possui Forças Armadas estruturadas, é membro fundador da ONU, integra organismos internacionais relevantes e mantém relações diplomáticas e comerciais com diversas potências globais.
Se a comparação for com as ações recentes dos Estados Unidos contra grupos criminosos na Venezuela, o risco de algo semelhante ocorrer no Brasil é considerado baixo, mas não inexistente em cenários extremos.
Há diferenças fundamentais entre os dois países:
- A Venezuela é alvo de sanções americanas há anos e possui uma relação diplomática extremamente deteriorada com Washington.
- O Brasil mantém relações diplomáticas, comerciais e militares regulares com os Estados Unidos.
- O Brasil possui instituições consolidadas, Judiciário independente, Forças Armadas estruturadas e uma economia muito mais integrada ao sistema financeiro global.
Na prática, especialistas avaliam que os riscos mais concretos não seriam uma invasão militar convencional, mas sim:
Pressão diplomática
Washington poderia aumentar críticas públicas ao governo brasileiro, apoiar resoluções internacionais ou pressionar por mudanças em políticas de segurança e direitos humanos.
Sanções direcionadas
Autoridades brasileiras, ministros, magistrados ou empresários poderiam ser alvo de restrições de vistos, bloqueios financeiros ou investigações internacionais, caso o governo americano entendesse haver ameaças a interesses estratégicos dos EUA.
Cooperação ampliada contra facções
Se PCC ou Comando Vermelho forem formalmente classificados pelos EUA como organizações terroristas, órgãos americanos poderiam ampliar monitoramento financeiro, inteligência e ações contra redes internacionais ligadas a essas facções, inclusive pressionando por maior colaboração brasileira.
Guerra informacional
Analistas apontam que a influência sobre a opinião pública, redes sociais, produção de conteúdo político e apoio indireto a grupos ideológicos costuma ser uma ferramenta muito mais utilizada atualmente do que intervenções militares diretas.
Crise institucional
O cenário que mais preocupa estudiosos da democracia não é uma invasão estrangeira, mas a eventual utilização de narrativas sobre fraude eleitoral, corrupção sistêmica ou combate ao crime organizado para justificar pressões políticas internas e externas sobre as instituições brasileiras.
No caso específico das manifestações de Eduardo Bolsonaro e da aproximação com aliados de Donald Trump, o principal temor manifestado por setores do governo e por pesquisadores de relações internacionais é a importação para o Brasil da estratégia utilizada nos Estados Unidos após as eleições de 2020: questionamento prévio da legitimidade eleitoral, mobilização de bases políticas e pressão sobre instituições.
Uma operação militar americana dentro do território brasileiro, sem autorização do governo brasileiro, exigiria um rompimento diplomático de grandes proporções e teria enormes custos políticos, econômicos e militares para Washington. Por isso, é vista como um cenário muito improvável. O risco mais realista está no campo da influência política, econômica, diplomática e informacional, não de uma ocupação militar.




