Imóvel foi um dos principais alvos da operação que investiga suposto esquema bilionário de créditos falsos de ICMS
Uma mansão localizada no loteamento Caminhos de San Conrado, em Campinas, foi um dos principais alvos da Operação Distrato, deflagrada nesta quarta-feira (15) pelo Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de São Paulo (CIRA/SP). O imóvel concentrou parte significativa dos mandados de busca e apreensão cumpridos na investigação que apura um suposto esquema de fraude tributária envolvendo a comercialização de créditos falsos de ICMS. Até o momento, as autoridades não divulgaram a identidade do proprietário da residência.
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Imagens registradas durante a operação mostram equipes do 1º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep) cumprindo mandado judicial no condomínio de alto padrão. A residência possui fachada ornamentada por estátuas de leões e apresenta decoração com obras de arte em seu interior.
Segundo o Ministério Público de São Paulo, a Secretaria da Fazenda e o CIRA/SP, o grupo investigado é suspeito de oferecer a empresários créditos tributários de ICMS supostamente homologados pela Fazenda Estadual, prometendo redução da carga tributária por meio de operações apresentadas como planejamento fiscal. As investigações, no entanto, apontam que esses créditos seriam inexistentes ou irregulares, causando prejuízo estimado em R$ 3,8 bilhões aos cofres públicos.
Ao todo, a Operação Distrato cumpre 38 mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, Campinas, Jundiaí, Ribeirão Preto, Londrina (PR) e Cambé (PR). Participam da ação integrantes do Ministério Público de São Paulo, auditores fiscais, procuradores do Estado e policiais civis e militares. Nesta fase da investigação não foram expedidos mandados de prisão.
Entre os investigados está um núcleo econômico ligado ao advogado Nelson Wilians. O escritório de advocacia fundado por ele também foi alvo de buscas. Conforme informado pelas autoridades, a apuração busca identificar a atuação de escritórios de advocacia, consultorias e empresas intermediadoras que teriam estruturado contratos e pareceres jurídicos para dar aparência de legalidade às operações.
Nelson Wilians já havia sido citado em outra investigação da Polícia Federal, em 2025, relacionada a descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Na ocasião, o advogado negou irregularidades e afirmou que todas as operações financeiras mencionadas eram lícitas e passíveis de comprovação. Em nota divulgada à época, sua defesa declarou que a relação comercial com o empresário Maurício Camisotti era “estritamente profissional e legal” e que os valores movimentados referiam-se à compra de um terreno vizinho à sua residência.
Nesta quarta-feira, a defesa de Nelson Wilians foi novamente procurada sobre a Operação Distrato e, até a publicação desta reportagem, não havia se manifestado. O espaço permanece aberto para posicionamentos dos investigados e de seus representantes legais.




