Deputados estaduais, Tribunal de Contas e Polícia Federal apuram o destino de itens do acervo da antiga residência oficial dos governadores mineiros
O desaparecimento de peças do acervo do Palácio das Mangabeiras, antiga residência oficial dos governadores de Minas Gerais, passou a ser investigado por deputados estaduais, pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) e pela Polícia Federal. Durante vistoria realizada no dia 2 de julho, parlamentares localizaram apenas cinco itens do acervo original no imóvel, em Belo Horizonte: uma mesa de centro, um piano, duas poltronas e um sofá.
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Segundo os deputados, diversos móveis, obras e objetos históricos não foram encontrados durante a inspeção. Também não foi apresentada uma relação completa do patrimônio existente, o que dificulta a identificação da quantidade de bens que eventualmente estejam desaparecidos. A Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), responsável pela administração do palácio, informou que entregará o inventário atualizado até o dia 16.
O ex-governador Romeu Zema (Novo) negou que tenha ocorrido desaparecimento do acervo. Em declaração à imprensa, afirmou que optou por não morar na residência oficial durante o mandato para reduzir despesas públicas e minimizou o valor dos bens existentes no imóvel.
Entre os itens que, segundo os parlamentares, não foram localizados estão uma mesa de jantar para 40 lugares, uma cozinha completa, mobiliário da sala de cinema, tapetes, talheres de prata, copos de cristal e parte da coleção de 1.038 livros restaurados entre 2010 e 2014.
Documentos oficiais apontam que, em 2020, 63 peças foram doadas ao Estado. Já informações apresentadas pela Secretaria de Estado de Cultura indicam que parte do acervo está sob responsabilidade da Polícia Militar e da Codemge. A divergência entre os registros ainda é analisada pelos órgãos de controle.
O Tribunal de Contas de Minas Gerais aceitou uma representação apresentada pelo deputado estadual Leleco Pimentel (PT), que questiona a ausência de inventários técnicos e de registros sobre a movimentação dos bens patrimoniais. Já a deputada estadual Bella Gonçalves (PT) protocolou notícia-crime junto à Polícia Federal para apuração dos fatos.
Durante a vistoria, os parlamentares também relataram problemas de conservação no imóvel, como infiltrações, pontos de mofo e alterações em alguns ambientes, incluindo a retirada do carpete da antiga sala de cinema.
Em nota, o Governo de Minas Gerais afirmou que repudia especulações sobre o desaparecimento do acervo e informou que todos os bens estão cadastrados, inventariados e com localização registrada nos sistemas oficiais de controle patrimonial. Segundo a administração estadual, os livros foram incorporados à Biblioteca Pública Estadual, enquanto outras peças estão sob guarda de equipamentos culturais, como o Palácio da Liberdade e o Museu Mineiro.
O governador Mateus Simões (PSD) declarou que o acervo pode ser consultado mediante requerimento formal e afirmou que a utilização do Palácio das Mangabeiras para eventos, como a mostra CasaCor, buscou contribuir para a preservação e recuperação do imóvel. A Codemge informou que acompanha o posicionamento do governo estadual.




