Convenção nacional realizada em São Paulo confirmou a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência da República e marcou a união, no primeiro turno, dos principais partidos da esquerda e da centro-esquerda
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi oficializado neste domingo (2), em convenção nacional realizada no Expo Center Norte, em São Paulo, como candidato à reeleição para um quarto mandato à Presidência da República. O evento também confirmou o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) na chapa e reuniu, pela primeira vez desde a redemocratização, os principais partidos da esquerda e da centro-esquerda em uma candidatura única já no primeiro turno.
Participaram da convenção representantes do PT, PCdoB, PV, PSB, PDT, PSOL e Rede, além de ministros, governadores, parlamentares, dirigentes partidários, movimentos sociais e lideranças de diversas regiões do país. A homologação da candidatura foi conduzida pelo presidente nacional do PT, Edinho Silva, encerrando a etapa formal para o registro da chapa na Justiça Eleitoral.
Unidade do campo progressista
Um dos principais destaques do encontro foi a consolidação de uma ampla frente política formada ainda antes do início oficial da campanha eleitoral. Segundo lideranças presentes, a aliança reúne legendas que, em eleições anteriores, disputaram separadamente o Palácio do Planalto ou aderiram ao PT apenas no segundo turno.
Durante o discurso, Lula afirmou que o PT se consolidou como um partido capaz de reunir diferentes correntes ideológicas dentro do campo democrático e homenageou lideranças históricas como Leonel Brizola, Miguel Arraes, Eduardo Campos e João Amazonas. “O PT é um partido político que ensinou a esquerda a viver democraticamente na diversidade”, declarou o presidente.
Lideranças demonstram confiança
Em entrevista à revista Fórum, o deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG) classificou a convenção como um momento histórico.
“Hoje é um dia histórico. O presidente Lula conseguiu juntar todo o campo da esquerda e da centro-esquerda”, afirmou. O parlamentar também avaliou que a recuperação econômica e o reposicionamento internacional do Brasil fortalecem a candidatura e manifestou expectativa de vitória ainda no primeiro turno.
A deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) afirmou que a legenda participará ativamente da frente ampla.
“É fundamental a gente seguir consolidando a democracia brasileira. Não tem outro caminho senão a reeleição do presidente Lula”, declarou. Segundo a parlamentar, o PSOL pretende contribuir com propostas voltadas à justiça social, combate às desigualdades, direitos humanos e enfrentamento das mudanças climáticas.
Já o deputado federal Alencar Santana (PT-SP) destacou que esta poderá ser a última convenção nacional de Lula como candidato à Presidência, uma vez que o petista já afirmou não pretender disputar um quinto mandato. “É um dia marcante”, afirmou.
Alckmin permanece na chapa
O PSB manteve Geraldo Alckmin como candidato a vice-presidente. Durante a convenção, Lula elogiou a atuação do vice na política de reindustrialização do país e ressaltou sua capacidade de diálogo com setores produtivos e empresariais.
Em vídeo exibido no evento, o presidente nacional do PSB e prefeito do Recife, João Campos, comparou a possível vitória eleitoral ao quarto título mundial da Seleção Brasileira.
“A nossa seleção pode até não ter ganhado o hexa na Copa, mas o povo brasileiro vai comemorar o novo tetra. No voto, o tetra de Luiz Inácio Lula da Silva”, afirmou.
Alianças estaduais ampliam a estratégia
A convenção também evidenciou alianças regionais envolvendo partidos que não integram formalmente a coligação nacional. Um dos exemplos apresentados foi o Tocantins, onde lideranças do PSD participarão do palanque estadual de apoio à reeleição de Lula.
Entre os presentes estavam o candidato ao governo Laurez Moreira (PSD), o candidato ao Senado Paulo Mourão (PT) e a ex-senadora Kátia Abreu, que coordena a campanha presidencial no estado. Segundo dirigentes petistas, a estratégia prevê acordos adaptados à realidade política de cada unidade da Federação.
Haddad e Rafael Fonteles são citados como novas lideranças
Durante o discurso, Lula afirmou que pretende utilizar um eventual quarto mandato também para preparar novas lideranças políticas. O presidente mencionou o candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), e o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), como nomes importantes para o futuro do campo progressista.
Ao dirigir-se a Haddad, Lula afirmou que espera entregar um país preparado para que ele possa disputar a Presidência após governar São Paulo. Em seguida, também citou Rafael Fonteles como possível liderança nacional nos próximos anos.
Mulheres ganham espaço na campanha
A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, participou da convenção e afirmou que as mulheres terão papel decisivo na campanha.
“Somos nós, mulheres, que vamos eleger você novamente”, declarou.
Lula também voltou a defender políticas públicas voltadas ao enfrentamento da violência contra as mulheres, citando medidas de proteção às vítimas e o combate ao feminicídio como prioridades de um eventual novo mandato.
Defesa, soberania e terras raras
Outro ponto de destaque do discurso foi a defesa da soberania nacional. Lula afirmou que o país precisa fortalecer sua capacidade de defesa, investir em tecnologia nacional e ampliar a proteção das fronteiras, da Amazônia e das riquezas minerais.
“Eu quero estar preparado para a paz, não é para a guerra. Quero estar preparado para ninguém ousar se fazer de besta conosco”, afirmou.
O presidente também defendeu maior controle sobre a exploração das chamadas terras raras e minerais críticos, considerados estratégicos para a indústria de alta tecnologia.
“Isso é um patrimônio do povo brasileiro. Quem tem que lucrar com isso é o povo brasileiro”, disse.
Campanha destaca realizações do governo
Na reta final da convenção, Lula afirmou que pretende basear a campanha nas ações desenvolvidas durante o atual mandato, citando programas como Minha Casa, Minha Vida, Pé-de-Meia, Novo PAC, valorização do salário mínimo e retomada de políticas sociais.
“Quem fez pode prometer mais. Quem não fez não tem o que prometer”, declarou.
Ao encerrar o discurso, o presidente afirmou que deseja um governo capaz de promover mudanças estruturais e resumiu o novo momento político com uma frase recebida com aplausos pela militância.




