Investigação da Polícia Federal aponta esquema de fraudes bancárias, vazamento de documento sob segredo de Justiça e possível participação de servidores públicos
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A Polícia Federal investiga uma organização criminosa suspeita de desviar cerca de R$ 45 milhões de contas de clientes da Caixa Econômica Federal e de obter acesso antecipado a uma decisão judicial sigilosa que autorizava uma operação contra o grupo. Segundo a investigação, os criminosos receberam o documento semanas antes do cumprimento dos mandados e passaram a ocultar patrimônio e eliminar provas. A notícia foi divulgada pelo Fantástico nesse domingo (02).
Investigação
As apurações começaram em 2025 após denúncias de fraudes contra clientes da Caixa. De acordo com a PF, os criminosos invadiam contas bancárias e desviavam recursos de vítimas, entre elas beneficiários do FGTS e de programas sociais. A corporação afirma que o prejuízo estimado chega a R$ 45 milhões e que parte das vítimas ficou sem recursos para despesas básicas, como alimentação e medicamentos.
A investigação identificou dois núcleos de atuação. Em São Paulo, Matheus Casado Natário e Isabely Alves de Sousa são apontados como responsáveis por coordenar as fraudes e acessar as contas das vítimas. Ainda segundo a PF, o casal criou uma empresa nas Ilhas Virgens Britânicas e mantinha parte dos valores desviados em criptomoedas para dificultar o rastreamento dos recursos.
No Rio de Janeiro, Jader Henrique Areas de Almeida é apontado como líder da organização. Conforme a investigação, ele definia as datas dos golpes, distribuía os dados das vítimas aos integrantes do grupo e coordenava as ações criminosas. Enzo Grillo Filho é apontado como operador financeiro, responsável por movimentar os recursos entre Rio de Janeiro e São Paulo.
A Polícia Federal afirma ter encontrado, durante a perícia em celulares apreendidos, a íntegra da decisão judicial que autorizava a operação contra a quadrilha. O documento, protegido por segredo de Justiça, teria sido compartilhado entre os investigados antes da deflagração da ação policial. Em uma das mensagens analisadas, após receber o documento, um integrante responde: “Que zica, hein… Blindar o patrimônio.”
A partir da descoberta, os investigadores passaram a apurar a origem do vazamento. Segundo a PF, o primeiro acesso ao documento foi realizado pelo servidor da Justiça Federal Jackson Cozendey, que, de acordo com os investigadores, não possuía atribuição funcional para consultar o processo. A investigação também aponta que o acesso ocorreu por meio de uma conexão de internet instalada no escritório de advocacia onde atua Gabrielle Cozendey, esposa do servidor.
A Polícia Federal afirma ainda que a movimentação financeira da advogada chamou a atenção dos investigadores. Embora tenha declarado renda mensal de R$ 5.200, ela teria movimentado aproximadamente R$ 1,74 milhão em um período de seis meses, conforme os dados obtidos durante a investigação.
Em outro trecho das apurações, a PF identificou um áudio atribuído a Jader Henrique Areas de Almeida em que ele menciona a possibilidade de mandar matar o delegado responsável pelas investigações. Segundo a corporação, o plano não foi executado.
A defesa de Jackson Cozendey e Gabrielle Cozendey afirmou que ambos “não possuem qualquer vinculação com os fatos apurados no referido processo”.
As defesas de Matheus Casado Natário, Isabely Alves de Sousa e Jader Henrique Areas de Almeida não responderam aos contatos da reportagem. O advogado de Enzo Grillo Filho também não foi localizado.
A Polícia Federal e o Ministério Público Federal informaram que não irão comentar o caso neste momento. Segundo apuração do programa Fantástico, os dois órgãos solicitaram à Justiça Federal novos mandados de busca e apreensão relacionados à investigação, inclusive para serem cumpridos em unidades da própria Justiça Federal.
Procurado, o Tribunal Regional Federal (TRF) não se manifestou sobre as investigações.




