Dois trabalhadores denunciam suspeita de racismo e falsa acusação de furto em supermercado de Campinas

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O procedimento judicial solicitado pela defesa busca justamente preservar as evidências que poderão ajudar a esclarecer o que aconteceu dentro da unidade do Pão de Açúcar. Foto Divulgação GPA/Pao de Açucar

Vítimas afirmam que foram abordadas por vigilante após manusearem latas de cerveja; Pão de Açúcar afastou funcionário terceirizado e informou que abriu apuração interna

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Dois trabalhadores negros de Campinas denunciaram ter sido vítimas de discriminação racial e de uma falsa acusação de furto durante uma abordagem no supermercado Pão de Açúcar da Avenida Alberto Sarmento, no bairro Bonfim, na sexta-feira (28). O caso envolve um vigilante terceirizado, que teria abordado os dois quando deixavam o estabelecimento.

Segundo o relato do barbeiro e empresário Wesley Britto e de seu colega Jonathan, o vigilante os interceptou e questionou, em tom que os dois consideraram sarcástico, se não estavam esquecendo alguma coisa. O funcionário teria afirmado que havia visto os clientes manuseando quatro latas de cerveja.

Produtos foram deixados nas prateleiras

De acordo com Wesley, pouco antes da abordagem ele havia desistido de comprar as cervejas porque estavam em temperatura ambiente. As latas teriam sido recolocadas nas gôndolas e ele ainda teria consultado um funcionário do caixa sobre a possibilidade de retirar o produto por meio do aplicativo do supermercado.

Diante da abordagem, os dois retornaram ao setor de bebidas acompanhados pelo vigilante para mostrar que as latas continuavam nas prateleiras. Segundo as vítimas, durante a verificação o profissional de segurança chegou a tocar nos produtos e questionar se eles estavam gelados, mantendo a suspeita mesmo depois de os itens terem sido localizados no próprio estabelecimento.

Wesley e Jonathan afirmam que consideraram a abordagem motivada por preconceito racial e também pela forma como estavam vestidos. Os dois contestaram a conduta e apontaram que as câmeras de segurança do estabelecimento poderiam esclarecer toda a situação.

Produto acabou sendo comprado

Depois do episódio, os dois deixaram o supermercado. Pouco tempo depois, Wesley retornou acompanhado da noiva. Na ocasião, o produto foi efetivamente comprado, e a nota fiscal foi apresentada a um funcionário do estabelecimento. Para a defesa dos dois trabalhadores, as imagens do sistema de monitoramento são consideradas fundamentais para esclarecer a sequência dos acontecimentos.

Defesa pede preservação das imagens

Antes mesmo da formalização de um boletim de ocorrência, o advogado Luiz Gustavo Francisco do Prado, que representa Wesley e Jonathan, ingressou com uma ação cautelar de produção antecipada de provas na Justiça. O objetivo é garantir a preservação e posterior disponibilização das imagens das câmeras de segurança do supermercado.

Segundo o advogado, a medida foi adotada diante do risco de os arquivos digitais serem apagados ou sobrescritos pelo sistema de armazenamento das câmeras. A defesa aguarda a decisão judicial sobre o pedido de liminar. A intenção, segundo o advogado, é utilizar as imagens para formalizar a denúncia perante as autoridades policiais e adotar as medidas judiciais cabíveis relacionadas à suspeita de discriminação e aos danos alegados pelas vítimas.

Pão de Açúcar afasta vigilante

Procurado sobre o caso, o Pão de Açúcar informou que repudia qualquer atitude discriminatória e afirmou que respeito e inclusão são compromissos da companhia, previstos em seu Código de Ética e em suas políticas internas de diversidade, inclusão e direitos humanos.

A empresa informou ainda que iniciou uma apuração interna assim que tomou conhecimento da denúncia e solicitou à empresa de segurança responsável a retirada imediata do vigilante de suas operações. Segundo a rede, o funcionário terceirizado foi afastado das atividades no estabelecimento. O supermercado também declarou que permanece à disposição das vítimas e das autoridades competentes para prestar esclarecimentos e oferecer o apoio necessário durante a apuração.

Imagens podem ser decisivas

O caso ainda deverá ser esclarecido pelas autoridades. A eventual existência de imagens que registrem a movimentação dos clientes, a abordagem do vigilante e a sequência dos acontecimentos poderá ser fundamental para a apuração.

Até o momento, as acusações de discriminação racial e de falsa acusação de furto são alegações apresentadas pelas vítimas e ainda dependem da produção de provas e da investigação pelas autoridades competentes.

A decisão da empresa de afastar o vigilante e iniciar uma apuração interna ocorreu antes da conclusão das investigações. O procedimento judicial solicitado pela defesa busca justamente preservar as evidências que poderão ajudar a esclarecer o que aconteceu dentro da unidade do Pão de Açúcar.

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