Advogado de Flávio Bolsonaro entra no radar da PF por apostas bilionárias e acumula conexões sob investigação

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O que existe até agora são investigações distintas e conexões documentadas: a PF apura as movimentações de Tomaz em plataformas de apostas; o advogado foi alvo de busca na Operação Sem Desconto; Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Willer Tomaz é investigado pela PF por suspeita de lavagem de dinheiro em apostas; advogado também foi alvo de operação sobre fraudes no INSS e aparece como cotista de avião usado por Flávio Bolsonaro em viagem com a família

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O advogado e empresário Willer Tomaz, amigo e próximo de Flávio Bolsonaro (PL), entrou em uma nova frente de investigação da Polícia Federal, desta vez relacionada a movimentações bilionárias em plataformas de apostas. Documentos apresentados pelo próprio advogado em uma ação judicial contra a Blaze registram bilhões de reais em ganhos e perdas em jogos de cassino. A PF apura se as apostas podem ter sido utilizadas para lavagem de dinheiro. Tomaz nega qualquer irregularidade e afirma que as movimentações ocorreram em sua própria conta bancária e de forma rastreável.

Os números chamam atenção pelo volume. Segundo documentos analisados pelas reportagens, Tomaz registrou cerca de R$ 4,8 bilhões em ganhos e quase R$ 5 bilhões em perdas somente durante 2025, resultando em saldo líquido negativo de aproximadamente R$ 163,2 milhões. Esses valores representam o giro acumulado das apostas e não significam que o advogado tenha depositado R$ 5 bilhões de dinheiro próprio na plataforma.

Em uma atualização da investigação, documentos apontados pelo UOL indicam que, entre janeiro de 2025 e julho de 2026, Tomaz teria movimentado R$ 6,6 bilhões em apostas na Blaze. No período, os documentos registram aproximadamente R$ 325,3 milhões em depósitos e R$ 180,3 milhões em saques. A defesa sustenta que houve prejuízo líquido e afirma que Tomaz sofre de ludopatia. A Blaze contesta a interpretação dos valores e nega ter agido de forma irregular.

A nova investigação acrescenta mais um capítulo à trajetória recente do advogado. Tomaz já havia sido alvo de buscas da Polícia Federal na Operação Sem Desconto, que investiga um esquema de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo a CNN, a investigação também examina suspeitas de movimentações financeiras e patrimoniais relacionadas ao senador Weverton Rocha (PDT-MA). Tomaz nega envolvimento nas irregularidades investigadas.

É nesse ponto que a relação com Flávio Bolsonaro ganha relevância jornalística. Tomaz não é apenas um advogado que aparece em documentos de investigações. Ele mantém relação pessoal com o candidato à Presidência, que já declarou publicamente ser seu amigo e defendeu o advogado quando seu nome passou a aparecer nas reportagens sobre a investigação do INSS. Em setembro, Flávio classificou Tomaz como um “advogado respeitadíssimo” e afirmou que órgãos como Ministério Público, Polícia Federal e STF estariam sendo utilizados para perseguir pessoas próximas a ele.

A relação entre os dois também aparece em viagens e patrimônio. Em janeiro de 2025, Flávio Bolsonaro, a mulher e as duas filhas viajaram da Flórida para Brasília em um jato no qual Willer Tomaz possuía uma das cotas. A aeronave também tinha participação de uma empresa ligada a Daniel Vorcaro, então sócio da Prime You. O avião seria posteriormente utilizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

Após a divulgação da viagem, Flávio afirmou que o avião era de Willer e que havia viajado a convite do advogado. “Ainda bem que na época o avião era de Willer. Imagina se fosse agora, eu teria viajado no avião de Alexandre de Moraes”, escreveu o senador nas redes sociais. A documentação societária, entretanto, mostra que a aeronave era formalmente administrada pela Fraction 024 e possuía três cotistas, entre eles a empresa de Tomaz e a Prime You.

Tomaz, por sua vez, afirma que a viagem não teve qualquer relação com Daniel Vorcaro. Segundo nota divulgada pelo advogado, o voo foi solicitado e integralmente custeado por ele, utilizando as horas correspondentes à sua cota da aeronave. Tomaz também declarou que não conhece Vorcaro e que só teria tomado conhecimento posteriormente de que uma terceira cota do avião havia sido adquirida pela Prime You.

A aeronave ainda aparece em outro episódio envolvendo Flávio. Segundo reportagens publicadas neste mês, o senador utilizou durante a campanha um apartamento pertencente a uma empresa ligada a Tomaz. O imóvel havia sido adquirido de Fabiano Zettel, apontado em reportagens como cunhado e operador financeiro ligado a Vorcaro. Flávio e Tomaz negam que essas relações representem qualquer irregularidade.

Apostas, INSS e relações políticas

A investigação sobre as apostas tem uma origem peculiar: os próprios dados financeiros foram apresentados por Tomaz em uma ação judicial contra a Blaze. O advogado pede indenização de R$ 20 milhões e afirma que a plataforma teria permitido que ele continuasse apostando apesar de sua condição de jogador compulsivo. Foi nesse processo que os valores acumulados nas apostas vieram ao conhecimento público.

A PF agora procura esclarecer a origem dos recursos utilizados nas apostas e a natureza das movimentações financeiras. O ponto central da investigação é saber se o enorme volume financeiro registrado nas plataformas possui alguma relação com recursos de origem ilícita ou se corresponde, como sustenta a defesa, a operações pessoais de um apostador que perdeu dinheiro.

Tomaz rejeita a hipótese de lavagem de dinheiro. Segundo sua defesa, não houve ocultação ou dissimulação dos recursos e as movimentações ocorreram por meio de suas próprias contas. A defesa também sustenta que os valores divulgados não representam a realidade financeira do advogado porque correspondem ao giro acumulado das apostas.

A situação coloca sob escrutínio uma pessoa que mantém proximidade pessoal com um candidato à Presidência e que, ao mesmo tempo, aparece em diferentes investigações e episódios envolvendo grandes volumes financeiros, patrimônio e relações empresariais. Essa coincidência, por si só, não demonstra que Flávio Bolsonaro tenha cometido qualquer irregularidade ou que Tomaz tenha praticado os crimes investigados.

O que existe até agora são investigações distintas e conexões documentadas: a PF apura as movimentações de Tomaz em plataformas de apostas; o advogado foi alvo de busca na Operação Sem Desconto; ele é cotista de uma aeronave utilizada por Flávio em viagem familiar; e Flávio reconhece publicamente a amizade com Tomaz e já saiu em defesa do advogado.

O próximo passo da investigação sobre as apostas será esclarecer de onde vieram os recursos utilizados por Tomaz, como funcionavam os depósitos e saques e se houve alguma tentativa de ocultação de patrimônio. No caso do INSS, a PF ainda apura as suspeitas que levaram às medidas contra o advogado. Em nenhum dos casos citados há, até o momento, condenação criminal contra Tomaz.

A sequência dos episódios, porém, explica por que o nome do advogado voltou ao centro do debate político às vésperas do primeiro turno: o mesmo homem que mantém uma relação de amizade com Flávio Bolsonaro é agora alvo de uma investigação da PF que envolve cifras bilionárias em apostas, enquanto seu nome já havia aparecido em outra investigação federal e em uma controvérsia envolvendo um avião compartilhado com uma empresa que teve Daniel Vorcaro entre seus sócios.

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