Após 24 anos Flávio Bolsonaro fica sem mandato e está na mira da PF e vai responder por várias investigações

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A apuração envolve suspeitas de lavagem de dinheiro e possíveis vínculos empresariais que ainda precisam ser esclarecidos pelas autoridades. As suspeitas investigadas não equivalem a uma condenação. Foto Joedson Alves/Agencia Brasil

Senador encerra mandato em 31 de janeiro de 2027 e deixa de ocupar cargo eletivo; apurações da Polícia Federal envolvem relações empresariais com Willer Tomaz e repasses para o filme Dark Horse.

Por Sandra Venancio – Jornal Local

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A derrota de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa presidencial de 2026 terá consequências para sua trajetória política a partir de fevereiro de 2027. O mandato de senador termina em 31 de janeiro, e ele não foi eleito para outro cargo. Com isso, ficará sem mandato eletivo pela primeira vez desde que ingressou na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), em 2003. A data de encerramento do mandato consta no cadastro oficial do Senado Federal.

A saída do Congresso ocorre enquanto a Polícia Federal apura suspeitas relacionadas a negócios do senador e ao financiamento do filme Dark Horse, produção sobre a trajetória política de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Os casos envolvem linhas de investigação distintas, com procedimentos sob supervisão de ministros diferentes do Supremo Tribunal Federal (STF).

Investigação apura relações com advogado

Uma das apurações examina possíveis irregularidades financeiras envolvendo o advogado Willer Tomaz e empresas ligadas a ele. Segundo informações divulgadas pela imprensa com base em documentos da investigação, a Polícia Federal identificou registros que indicariam que Flávio Bolsonaro figurou como usuário com perfil de acesso elevado em uma conta bancária da empresa Alcazar Holdings.

Os investigadores avaliam se as relações financeiras e empresariais podem indicar uma eventual participação econômica ou societária do senador em negócios associados ao advogado. A existência de uma relação pessoal entre os dois não comprova, por si só, qualquer irregularidade.

Willer Tomaz negou que Flávio tenha sido usuário principal da conta bancária e afirmou que documentos do banco demonstrariam que ele próprio era o único titular desse perfil de acesso. O advogado também negou a existência de sociedade oculta com o senador. Flávio e sua defesa contestaram informações divulgadas sobre o caso.

A apuração envolve suspeitas de lavagem de dinheiro e possíveis vínculos empresariais que ainda precisam ser esclarecidos pelas autoridades. As suspeitas investigadas não equivalem a uma condenação.

Repasses para Dark Horse estão sob investigação

Outro inquérito, conduzido sob relatoria do ministro André Mendonça, do STF, apura repasses feitos pelo empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, para financiar o filme Dark Horse.

De acordo com informações divulgadas pela Agência Brasil, o empresário teria transferido mais de R$ 60 milhões à produtora responsável pelo longa. Relatórios da Polícia Federal também apontaram negociações de recursos entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro. O senador foi incluído formalmente na investigação, que apura a origem e a destinação dos valores.

A Polícia Federal solicitou em outubro a prorrogação do inquérito por 90 dias para concluir perícias contábeis e aguardar informações financeiras de entidades no exterior. A investigação também examina documentos relacionados a fundos que teriam recebido recursos destinados à produção do filme.

Flávio Bolsonaro negou ter combinado vantagem indevida com Vorcaro e afirmou que os recursos destinados à produção eram privados. A investigação deverá esclarecer as condições dos repasses, sua destinação e a eventual existência de irregularidades.

Fim do mandato não encerra automaticamente os processos no STF

A saída do Senado não significa necessariamente que Flávio Bolsonaro perderá o foro por prerrogativa de função em todas as investigações. Em março de 2025, o STF decidiu que a competência da Corte pode ser mantida mesmo após o fim do cargo quando os crimes investigados tiverem sido cometidos durante o exercício da função e estiverem relacionados a ela. O entendimento foi reafirmado em decisão posterior do tribunal.

A definição sobre a instância responsável por cada procedimento depende dos fatos investigados, da relação deles com o exercício do mandato e das decisões judiciais aplicáveis. Portanto, não é correto afirmar que a saída do Senado, por si só, obrigará o envio de todas as apurações para a primeira instância.

A partir de fevereiro de 2027, Flávio deixará de exercer o mandato parlamentar, mas as investigações poderão prosseguir conforme as decisões do STF e os resultados das diligências da Polícia Federal.

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