PF faz novas buscas contra pastor Márcio Poncio em investigação sobre lavagem de dinheiro

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De acordo com informações divulgadas pela imprensa, uma mala encontrada em um endereço associado a Adilsinho continha listas com nomes de políticos. Foto Reprodução Instagram/Marcio Poncio

Nona fase da Operação Unha e Carne cumpre quatro mandados no Rio de Janeiro e apura ocultação de patrimônio por meio de imóveis de luxo, aeronaves, empresas e possíveis estruturas patrimoniais

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A Polícia Federal (PF) realizou nesta quinta-feira (29) a nona fase da Operação Unha e Carne, com quatro mandados de busca e apreensão na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro. Entre os alvos está o pastor e empresário Márcio Poncio, que está em prisão domiciliar desde julho, quando teve a prisão preventiva convertida por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). A operação investiga suspeitas de lavagem de dinheiro e ocultação de bens atribuídas a uma organização criminosa.

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Outro alvo é Bernardo Coutinho Loyola, sobrinho do contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho. Segundo a Polícia Federal, Bernardo é apontado como um dos principais operadores do esquema investigado. Os mandados foram autorizados pelo STF, e os agentes realizaram buscas em endereços comerciais associados a Poncio e em um imóvel residencial vinculado a Bernardo.

Investigação aponta rede patrimonial

De acordo com a PF, a investigação identificou indícios de uma estrutura patrimonial formada por imóveis de alto padrão, aeronaves executivas, veículos de luxo e empresas registradas em nome de familiares, colaboradores próximos e terceiros formalmente desvinculados dos investigados.

A suspeita é que esses bens, embora registrados em nome de outras pessoas ou empresas, permanecessem sob administração de integrantes do grupo investigado, dificultando a identificação dos proprietários efetivos.

Os investigadores também apuram o uso recorrente de dinheiro em espécie, movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a rastreabilidade esperada e operações realizadas por empresas nacionais e estrangeiras. A PF examina ainda a possível utilização de entidades religiosas e holdings patrimoniais para ocultar a titularidade de bens e valores.

Dados de celular levaram à nova fase

Segundo a Polícia Federal, a nona fase foi deflagrada após a análise de dados extraídos do celular de Márcio Poncio, apreendido durante etapa anterior da operação. As informações teriam revelado novos endereços, estruturas empresariais e ativos patrimoniais supostamente utilizados pelo grupo para administrar e movimentar recursos financeiros.

A corporação não divulgou, nas informações disponíveis sobre esta etapa, a relação completa dos bens investigados nem a participação individual de todos os alvos.

Prisão anterior e suspeitas envolvendo o setor de cigarros

Márcio Poncio foi preso em 2 de julho, durante a quinta fase da Operação Unha e Carne. Na ocasião, a investigação apurava suspeitas de pagamentos relacionados ao jogo do bicho e à chamada Máfia do Cigarro a agentes públicos.

Empresário do setor de tabaco e integrante da Igreja da Nuvem, Poncio ficou conhecido como “pastor do cigarro”, em referência à sua atuação empresarial. Após a prisão preventiva, o STF autorizou a conversão da custódia em prisão domiciliar, e ele deixou a unidade prisional em 12 de julho.

A quinta fase também teve como alvo Adilsinho, apontado pelos investigadores como uma das principais figuras do esquema relacionado à contravenção e ao comércio ilegal de cigarros. Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), também foi alvo de prisão naquela etapa.

Listas de políticos e suspeitas de repasses

Investigações anteriores relacionadas à Operação Unha e Carne identificaram documentos que, segundo a Polícia Federal, poderiam conter registros de pagamentos indevidos, doações eleitorais e movimentações ligadas à lavagem de dinheiro.

De acordo com informações divulgadas pela imprensa, uma mala encontrada em um endereço associado a Adilsinho continha listas com nomes de políticos. A PF informou que apura a possibilidade de agentes públicos terem recebido recursos do contraventor para campanhas eleitorais de 2022. A existência de registros, porém, não comprova isoladamente que os citados tenham cometido irregularidades.

Em 2024, reportagens do g1 também apontaram que grupos ligados ao comércio ilegal de cigarros exerciam controle sobre a distribuição desses produtos em dezenas de municípios fluminenses.

Nove fases e diferentes frentes de investigação

A Operação Unha e Carne começou em dezembro de 2025, inicialmente para apurar suspeitas de vazamento de informações sigilosas sobre ações policiais contra o Comando Vermelho (CV). Segundo a PF, informações sobre operações poderiam ter sido repassadas a pessoas investigadas e comprometido diligências.

A primeira fase teve como alvo Rodrigo Bacellar, então presidente da Alerj, sob suspeita de divulgar informações sigilosas da Operação Zargun. A investigação também alcançou o ex-deputado Thiego Raimundo de Oliveira Santos, conhecido como TH Joias, apontado pelos investigadores como articulador político ligado à facção.

Na segunda fase, em dezembro de 2025, a PF prendeu preventivamente o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). A hipótese investigada era de que informações teriam saído do Judiciário e chegado a Bacellar, que as teria repassado a TH Joias.

Em março de 2026, a terceira fase resultou em nova prisão de Bacellar, após a cassação de seu mandato e o avanço das investigações. A apuração também passou a examinar possíveis impactos das condutas investigadas sobre ações de combate ao crime organizado no Rio.

A quarta fase, em maio, teve como alvo o deputado estadual Thiago Rangel (Avante), suspeito de participação em irregularidades em contratações relacionadas à Secretaria Estadual de Educação. Já a sexta fase investigou uma rede de postos de combustíveis suspeita de funcionar como estrutura de lavagem de dinheiro, com movimentações estimadas em R$ 7,6 bilhões ao longo de seis anos.

As etapas seguintes incluíram buscas e prisões relacionadas à rede de postos e a suspeitas de posse irregular de armas. A oitava fase, em 15 de outubro, teve como alvos Márcio Canella e Marcus Amim, em uma investigação sobre uma organização suspeita de utilizar estabelecimentos de combustíveis para movimentar recursos ilícitos.

A nona fase amplia a frente patrimonial da operação e concentra as diligências em possíveis estruturas utilizadas para ocultar bens e movimentar dinheiro. A análise dos materiais recolhidos deverá ajudar a esclarecer a origem dos recursos, os beneficiários das transações e a eventual responsabilidade dos investigados.

As suspeitas permanecem sob investigação e não equivalem a condenações judiciais.

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