
Movimentos Ponte Pode Mais e Mãos Pontepretanas protocolaram representação no Comitê de Ética da confederação; documento aponta suspeitas de gestão temerária e cobra transição administrativa diante de atrasos salariais
<Siga o canal do Jornal Local no WhatsApp>
A crise administrativa e financeira da Associação Atlética Ponte Preta chegou ao Comitê de Ética da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). No sábado (24 de outubro), os movimentos de oposição Ponte Pode Mais e Mãos Pontepretanas protocolaram uma representação contra a atual gestão do clube de Campinas. O documento aponta possíveis irregularidades administrativas e éticas e pede providências para preservar a sustentabilidade financeira e institucional da equipe.
A iniciativa reúne aproximadamente 50 assinaturas de conselheiros, torcedores e personalidades ligadas ao futebol. Entre os apoiadores citados estão Dicá, nome histórico da Ponte Preta, e ex-jogadores e treinadores como Nelsinho Baptista, André Cruz, Juninho e Renato Cajá.
A oposição defende a renúncia coletiva da diretoria e a abertura de um processo de transição administrativa. Segundo os organizadores, a mudança seria necessária para enfrentar os problemas financeiros e negociar os débitos que, conforme a representação, incluem atrasos salariais de funcionários e atletas.
Representação aponta possível gestão temerária
O documento foi elaborado juridicamente pelo advogado André Megale, ex-diretor da CBF e sócio do escritório Rondino & Megale. De acordo com os responsáveis pela iniciativa, a petição reúne elementos que, na avaliação dos denunciantes, justificariam a análise de possíveis violações administrativas e éticas.
A apresentação da denúncia, porém, não significa que as acusações tenham sido comprovadas ou que a CBF tenha determinado alguma medida contra a diretoria. O caso depende da análise da entidade, e não há, nas informações disponíveis, confirmação de decisão do Comitê de Ética ou de abertura formal de procedimento disciplinar.
Os movimentos também defendem a elaboração de um plano de metas com transparência financeira, a renegociação das dívidas relacionadas ao futebol profissional e a busca por novos investimentos.
Grupos de oposição unem forças
A representação foi articulada conjuntamente por integrantes dos dois movimentos. Ricardo José Silva, do Mãos Pontepretanas, e Eduardo Lacerda Fernandes, do Ponte Pode Mais, defenderam que a prioridade deve ser a continuidade institucional da Ponte Preta, acima de disputas internas.
A lista de apoiadores inclui ainda nomes ligados ao futebol, como Zé Mário, Claudinho, Moacir Cachorrão, Parraga, Robson, Odair, Adrianinho, Renato Carioca, Alex, Diogo Silva e Carlão, além de conselheiros e representantes de torcidas.
Os organizadores sustentam que uma mudança na administração abriria caminho para a reorganização financeira e a recuperação da capacidade de investimento do clube. A proposta inclui atrair recursos do mercado e estabelecer condições para a continuidade das atividades esportivas.
Patrimônio histórico está no centro do debate
Fundada em 1900, a Ponte Preta tem trajetória centenária no futebol brasileiro. O clube é reconhecido por sua participação histórica na inclusão de jogadores negros no esporte e pela construção do Estádio Moisés Lucarelli, conhecido como Majestoso, com mobilização de sua comunidade de torcedores.
A oposição afirma que a preservação desse patrimônio depende de medidas para enfrentar a crise financeira e administrativa.
O próximo passo será a análise da representação pela CBF, que deverá avaliar se o pedido reúne condições para prosseguir. Até que haja manifestação oficial da entidade, as alegações apresentadas permanecem sob a responsabilidade dos denunciantes.


