Deputadas acionam órgãos federais após ameaças de envenenamento da água em aldeia Guarani Kaiowá

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Um indígena morreu após ser atropelado na rodovia MS-289, entre Coronel Sapucaia e Amambai, na madrugada de sábado (24) Foto Divulgação

Áudios atribuídos a servidor municipal de Tacuru, em Mato Grosso do Sul, motivaram pedido de investigação e medidas de proteção; governo federal encaminhou denúncia à Polícia Federal

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As deputadas federais Sônia Guajajara e Célia Xakriabá solicitaram providências urgentes a órgãos federais após denúncias de ameaças de envenenamento da água consumida por indígenas Guarani Kaiowá da Aldeia Sassoró, em Tacuru, Mato Grosso do Sul. O pedido foi encaminhado aos Ministérios da Justiça e dos Povos Indígenas, ao Ministério Público Federal (MPF) e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Em ofício, as parlamentares pediram a investigação das ameaças, a identificação dos responsáveis, a eventual responsabilização criminal e a adoção de medidas imediatas para proteger a comunidade. As denúncias vieram à tona após a circulação de áudios atribuídos a um servidor da prefeitura, nos quais haveria referências à possibilidade de contaminar a água utilizada pelos indígenas.

Até o momento, não há comprovação de que a água tenha sido contaminada. O Ministério dos Povos Indígenas solicitou a verificação da autenticidade dos áudios e a avaliação de possíveis crimes.

Servidor foi afastado, informa prefeito

O prefeito de Tacuru, Rogério Torquetti, informou que o funcionário apontado nas denúncias foi afastado e passou a responder a um Processo Administrativo Disciplinar (PAD). A identidade do servidor não foi divulgada nas informações disponíveis.

Após a repercussão do caso, o prefeito também pediu que a comunidade indígena perdoasse o comentário atribuído ao funcionário. A apuração administrativa deverá examinar a conduta do servidor, enquanto a investigação policial poderá esclarecer a origem, a autenticidade e o conteúdo dos áudios.

Polícia Federal recebeu denúncia

O governo federal acionou a Polícia Federal (PF) para investigar as ameaças e possíveis manifestações racistas contra povos indígenas de Mato Grosso do Sul após o segundo turno das eleições presidenciais de 2026.

O Ministério dos Povos Indígenas recebeu uma denúncia encaminhada por um representante da Aldeia Sassoró e repassou o material à PF. Entre as providências solicitadas estão a confirmação da autenticidade das gravações, a identificação dos envolvidos e a análise de possíveis infrações penais.

O ministério também pediu medidas preventivas para assegurar o abastecimento de água em condições seguras. A ausência de comprovação de contaminação não elimina a necessidade de apurar as ameaças relatadas e avaliar os riscos à população.

Liderança indígena cobra responsabilização

O cacique Ivan Montiel, liderança da Aldeia Sassoró e vereador de Tacuru, condenou as declarações atribuídas aos envolvidos e afirmou que buscará responsabilização nas esferas criminal e cível.

Montiel também ressaltou que os indígenas têm o mesmo direito que os demais cidadãos de escolher livremente seus candidatos. As denúncias ganharam repercussão após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas a motivação e as circunstâncias dos episódios precisam ser esclarecidas pelas autoridades.

APIB relata outros episódios de violência

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) denunciou outros casos de violência em Mato Grosso do Sul, incluindo mortes, atropelamentos, ameaças e suspeitas de envenenamento da água em Tacuru e Nioaque.

Um indígena morreu após ser atropelado na rodovia MS-289, entre Coronel Sapucaia e Amambai, na madrugada de sábado (24). As circunstâncias do acidente, segundo as informações fornecidas, ainda não foram esclarecidas. Não há elementos apresentados que permitam estabelecer uma relação entre essa morte e as ameaças registradas em Tacuru.

A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública negou que exista uma situação de genocídio contra povos indígenas no estado. Já o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) informou que apura os relatos.

A investigação sobre as ameaças à água deverá esclarecer se houve intenção de praticar violência, quem produziu ou divulgou as gravações e se existem elementos que justifiquem responsabilização criminal. Enquanto isso, a proteção da comunidade e a segurança do abastecimento são medidas preventivas centrais diante da gravidade do conteúdo denunciado

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