O deputado estadual Professor Tito (PT) vai pedir abertura de CPI para investigar os abusos cometidos pela polícia militar na última quinta feira, dia 13 de junho, durante manifestações do Movimento pelo Passe Livre na cidade de São Paulo. Para o parlamentar, as cenas de truculência que correram o mundo – retransmitidas pela mídia – são inadmissíveis.
“Várias perguntas precisam de respostas. De onde partiu a ordem para intervenção do tropa de choque, mesmo depois de o tenente-coronel Ben Hur Junqueira Neto, oficial da PM responsável pela operação, ter parabenizado lideranças do movimento pela tranqüilidade do protesto? A quem ele se referia quando diz que aguardava também ordens de superiores? O secretário de segurança aprovou a ação? O governador participou da decisão?”, questiona Tito.
Além disso, ainda segundo o deputado, as agressões contra jornalistas não parecem ter ocorrido por acaso, o que fica evidente em um dos vídeos divulgados, em que um jornalista tenta se identificar e a reação do policial é desferir um tiro. “Quase duas dezenas de jornalistas foram agredidos. Isso não é comum nem em zona de guerra. Além disso, prisões por portar vinagre ou para averiguação são manifestamente ilegais, verdadeira afronta aos valores democráticos”, critica o deputado.
Causou espanto e comoção em todo o mundo, ainda, a quantidade de pessoas alvejadas por tiros de balas de borracha de forma indiscriminada. “Essa munição não pode mais ser tratada como se fosse inofensiva. Vários especialistas defendem que seu uso pode, sim, ser mortal em algumas hipóteses, e acarretar lesões graves em outras. Veja o caso do jornalista que terá uma severa perda de visão por conta de um desses tiros.Outras cenas mostram uso de bombas de gás com prazo de validade vencida, podendo envenenar cidadãos. Estamos diante de um escândalo e a sociedade exige respostas.”
O deputado ainda vai cobrar do secretário que todos os policiais estejam devidamente identificados em todas as operações que participam. “Nesta ação de quinta muitos agentes do Estado se esconderam atrás do anonimato, retirando suas identificações de uso obrigatório, o que dificulta a responsabilização dos mesmos por possíveis excessos. Esse comportamento é vergonhoso e próprio de um Estado de exceção”, lamenta o deputado.





