Campinas é a terceira melhor cidade para se empreender

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O relatório mostra que o município subiu duas posições, em relação ao ranking do ano anterior, e ficou atrás somente de Florianópolis e São Paulo. Durante a análise, foram considerados 60 indicadores distribuídos em sete pilares que influenciam o mercado: ambiente regulatório, infraestrutura, mercado, capital humano, acesso a capital, inovação e cultura empreendedora. A Endeavor é uma organização internacional sem fins lucrativos que promove empreendedorismo.

Para o estudo, a Endeavor considerou dados obtidos pelo Fórum Econômico Mundial, do Relatório de Comércio e Desenvolvimento da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad), do Banco Mundial e da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

“As cidades  do  interior  paulista  apresentam os resultados  mais  consistentes  em  diferentes  pilares,  ao  mesmo  tempo  em  que  possuem  custos  relativamente  mais  baixos  que  diversas capitais”, diz a pesquisa. A 3ª edição do Índice de Cidades Empreendedoras foi lançado em São Paulo.

Embora a capital paulista esteja à frente no ranking pelo segundo ano consecutivo, outras metrópoles tiveram queda no desempenho, de acordo com a pesquisa. Rio de Janeiro (14ª), Curitiba (15ª) e Recife (18ª) caíram respectivamente quatro, sete e 14 posições em relação ao levantamento do ano anterior.
Oportunidades e diferenciais
O empresário Caê Castelli, 29 anos, é cofundador de uma “empresa-filha” da Unicamp responsável por criar a primeira pista para karts elétricos no país. Ele explica que a estrutura na região do Jardim Santa Genebra já gerou dez empregos diretos e recebe, por mês, entre 2 mil e 3 mil visitantes.

“Eu vejo que há bastante produção tecnológica e isso permite criação de negócios. Para nós que estamos na área de entretenimento, a cidade é legal, tem estrutura”, explica.

Para o economista da PUC-Campinas Roberto Brito de Carvalho, entre os diferenciais da cidade estão a presença de universidades que estimulam empreendedorismo, sobretudo incubação de empresas, estrutura industrial diversificada e renda per capita elevada. “Esse tripé faz com que a cidade esteja cada vez mais em evidência e a longo prazo pode ser uma reprodução do Vale do Silício, se houver implantação de uma política de ciência e tecnologia mais consistente”, afirma.

Além disso, ele valorizou a localidade estratégica na cadeia logística. “É muito importante para desenvolvimento local, seja em função da malha rodoviária ou pelo Aeroporto de Viracopos”.

Em outro trecho, a pesquisa da Endeavor destaca os pontos mencionados por Carvalho, sobretudo em relação ao crescimento do PIB e qualidade do ensino superior. “Campinas teve um crescimento médio ainda maior passando de 3,5% entre 2011 e 2013 para 4,1% entre 2012 e 2014. […] Também avançou  consideravelmente  na  qualidade  do  ensino  superior, em que tinha 17,1% dos alunos matriculados em cursos de alta qualidade  e,  agora,  são  26,1%.  Todos  esses  fatores ajudam a explicar a evolução da cidade da 5ª para a 3ª posição”, diz texto.

Discussões ampliadas
O gerente do Sebrae em Campinas, Fábio Gerlach, considera que a cidade tem potencial para chegar ao segundo lugar do ranking.

“Há um ecossistema de inovação forte, a cidade tem um núcleo da Rede Global de Empreendedorismo. Esse processo de ‘juntos somos melhores e conseguimos avançar mais’ tem feito a diferença”, ressalta. Segundo ele, 3% dos microempreendedores individuais do estado de São Paulo estão em Campinas.

Para que o município conquiste avanços, ele avalia que ainda são necessárias mais melhorias no ambiente das empresas, instaladas ou planejadas para a cidade; além de antecipação das discussões sobre inovação e empreendedorismo. “Precisamos levar para os jovens que ainda não acessaram a universidade para que ele tenha mais opções de vida. Levar a discussão para as mais diversas camadas da população e, com isso, permitir mais oportunidades”, destaca.

Medidas
Por meio de assessoria, o prefeito Jonas Donizette (PSB) destacou a adesão do município ao Sistema Via Rápida Empresa , o que reduziu tempo de abertura de empresas na cidade; e a criação de uma lei que agilizou emissão de alvará para construções de pequeno porte.

“O poder público precisa ser mais ágil e as empresas também precisam ter compreensão do tempo da administração pública”, informa texto do Executivo.

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