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Cerrado já emite CO2 nos mesmos níveis que a Amazônia

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A degradação do bioma Cerrado já é responsável pelo mesmo nível de emissões de CO2 da Amazônia e pelo dobro do desmatamento da floresta. A constatação é parte de um estudo do Ministério do Meio Ambiente (MMA) apresentado nesta quinta-feira (10/9) pelo ministro Carlos Minc. Ele anunciou, também, a abertura de consulta pública para o PPCerrado – Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas no Cerrado.

A área técnica da Secretaria de Biodiversidade e Florestas do Ministério, com base em levantamentos dos satélites CBERS e Landsat, coletados entre 2002 e 2008, concluiu, no estudo inédito, que o ritmo de desmatamento no Cerrado já corresponde a 21 mil Km2 por ano, contra no máximo 10 mil Km² da Amazônia. Estima-se para o período estudado uma redução próxima a 50% nas taxas de desmatamento na floresta amazônica, enquanto o Cerrado vem mantendo taxas de desmatamento idênticas, em torno de 21% de sua cobertura ao ano.

A pecuária extensiva e o plantio da soja para exportação são apontados como os vilões da degradação do Cerrado. No período estudado houve crescimento de 6,3% na área desmatada, que pulou de 41,9% para 48,2%, quase a metade da área do Bioma de 2 milhões de Km2. O estudo não identifica se o desmatamento é legal ou ilegal. Para Minc, isso é importante do ponto de vista das medidas de repressão, mas para o meio ambiente “é desmatamento e contribui para as emissões”. Na parte do Cerrado que integra a Amazônia Legal, o Código Florestal obriga a preservação de 35% das propriedades e fora dela a reserva legal é de 20%.

Além da perda de uma biodiversidade riquíssima, algo em torno de 12 mil espécies, a perda da cobertura vegetal original afeta o ciclo hídrico nas principais bacias brasileiras. O centro-oeste brasileiro, que abriga 50% da área do Cerrado, é considerado o berço das águas, já que é onde nascem as principais bacias hidrográficas do País.

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Monitoramento alerta para problemas na agricultura e energia
O Programa de Monitoramento do Desmatamento nos Biomas Brasileiros por Satélite é de responsabilidade da Secretaria de Biodiversidade e Florestas do MMA, com financiamento do Pnuma e da Agência Brasileira de Cooperação e execução técnica do Centro de Monitoramento Ambiental do Ibama.

A secretária de Biodiversidade e Florestas do MMA, Maria Cecília Wey de Brito, disse que os dados apresentados na coletiva alertam para problemas graves na agricultura e também na produção de energia. Ela lembrou que “a proteção que a vegetação típica do Cerrado dá às bacias é fundamental”. Segundo ela, já se conhece amplamente o efeito nocivo da substituição de espécies nativas da flora do Cerrado por cultivo agrícola. O maior problema, explica, será a diminuição da oferta de água em todas as bacias. O impacto na produção de energia limpa hidrelétrica, também será sentido. Cerca de 50% da geração nos níveis atuais depende do ciclo das águas em bacias do Cerrado.

O PPCerrado, segundo o ministro, pretende estender ao bioma o mesmo tratamento dado à Amazônia. A ampliação do número de unidades de conservação, que atualmente tem apenas 7,5 % do seu território protegido, é fundamental para o MMA conter o desmatamento do Cerrado. Além dessa medida, o ministro afirmou que já está em entendimentos com o Instituto de Pesquisas Especiais (Inpe) no sentido de implementar o monitoramento do bioma por um sistema nos moldes do Deter, que identifica por satélite as novas áreas de desmatamento em tempo real. O programa já conta com R$400 milhões até 2011.

Minc disse que espera resistências dos setores do agronegócio. Mas afirmou que para ocupar a posição, em defesa de todos os biomas brasileiros, tem de estar pronto para esses desafios. “Ou enfrenta ou muda de ocupação”, salientou. O ministro declarou que vai buscar o apoio da Embrapa e de outros órgãos governamentais para implementar políticas de sustentabilidade na região.

ASCOM

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