19.9 C
Campinas
quarta-feira, maio 6, 2026
spot_img

Prefeito Bruno Covas é marcado por desmonte de políticas públicas

Data:

Parte do desmonte que acusa a oposição está caracterizado no corte de integrações no Bilhete Único Vale Transporte.

O prefeito Bruno Covas (PSDB) completou ontem (7) um ano à frente da prefeitura da capital paulista, assumida com a renúncia do ex-prefeito e atual governador paulista João Doria (PSDB). Neste período, a marca de sua gestão tem sido o desmonte de políticas públicas que atendem a população mais pobre. Balanço feito pela bancada de vereadores do PT mostra que o governo municipal tem feito cada vez menos, apesar de um aumento significativo na arrecadação de tributos.

“Desde o início, a gestão foi muito pautada na propaganda. Mas logo a população percebeu que não estavam resolvendo os problemas da cidade. E hoje o que temos é um amplo desmonte”, afirmou o vereador Alfredo Alves, o Alfredinho (PT).

Parte do desmonte que acusa a oposição está caracterizado no corte de integrações no Bilhete Único Vale Transporte. Desde 1º de março, os usuários deste tipo de cartão só podem fazer uma integração gratuita. Desde a criação do Bilhete Único, em 2003, era possível fazer três integrações. No dia 26, a Justiça determinou que Covas cancelasse a medida, mas a prefeitura ainda não cumpriu a decisão. E reduziu a oferta de ônibus nas linhas noturnas

Além disso, Covas publicou o Decreto 58.636, que determina a redução de gastos em contratos com organizações sociais e prestadores de serviço nas áreas da saúde, assistência social e serviços, em torno de 15%. No caso da assistência, estão congelados R$ 240 milhões do orçamento. “Se o corte se concretizar vai ser uma quebradeira geral.

As organizações não vão conseguir se sustentar. Já está faltando alimentos, faltando material. A continuidade dos serviços vai ficar inviável”, disse o coordenador adjunto do Fórum de Assistência Social do Município de São Paulo (FAS), Alan Carvalho, em manifestação pedindo a revogação do decreto.

Embora a gestão alegue problemas financeiros, o aumento da arrecadação municipal foi de 8,9% em 2017 e de 5% em 2018, superando as expectativas da Secretaria Municipal da Fazenda. Mas serviu apenas para que a gestão fizesse o maior caixa dos últimos seis anos: R$ 10,8 bilhões parados na prefeitura sem justificativa.

“Parece uma estratégia para fazer uma maquiagem na cidade para o próximo período eleitoral. O governo não tem feito o trabalho de zeladoria, nem tem executado o programa Asfalto Novo nos últimos seis meses. Mas agora Covas está anunciando um novo programa de zeladoria, para fazer o que não fez em mais de dois anos”, ressaltou o vereador Antonio Donato (PT).

Na última quarta-feira (3), Covas anunciou o Programa Mutirão nos Bairros, cujo escopo é idêntico ao São Paulo Cidade Linda de Doria. A ideia é um mutirão de ações de zeladoria, realizado aos finais de semana, com acompanhamento de atividades culturais. O próprio Cidade Linda acabou abandonado por Doria, que hoje responde a processos na Justiça paulista por uso da marca para autopromoção. Ontem (7), a gestão Covas anunciou que vai triplicar o orçamento anual para a zeladoria, passando dos atuais R$ 500 milhões para R$ 1,5 bilhão ainda este ano.

O programa Asfalto Novo, que recebeu verbas que antes estavam destinadas à construção de corredores de ônibus, foi abandonado sem conclusão. O montante investido caiu de R$ 86 milhões no início de 2018, para R$ 20 milhões no início deste ano.

Sem resolver o problema, a gestão Covas anunciou ontem (7) que vai tapar 38 mil buracos nos próximos 40 dias, como parte do processo de aumento da verba de zeladoria. O que aumenta a suspeita de que a gestão pretenda usar o caixa acumulado para “embelezar a cidade”, como disse Donato.

Apesar do aumento na arrecadação, o investimento médio da gestão Doria-Covas foi de R$ 1,9 bilhão ao ano. A gestão do ex-prefeito Fernando Haddad (PT) teve investimento médio de R$ 4,1 bilhões. Quando observado por área, houve redução de 34% do investimento em combate às enchentes; queda de 56% na construção de corredores de ônibus; de 35% na construção de Centros de Educação Infantil (CEI) e 71% na construção de Escolas Municipais de Educação Infantil (Emei).

Na saúde, houve redução de 37,7% no investimento na construção de hospitais. Essa situação deixou praticamente paradas as obras do Hospital Municipal de Parelheiros, que teve a área de pronto socorro entregue por Doria às pressas, pouco antes de deixar o cargo.

No entanto, desde então, nenhuma outra ala do hospital foi aberta. Situação semelhante à das obras do Hospital Municipal da Brasilândia, que não teve avanços significativos no último ano.

Também houve aumento significativo dos contratos de emergência no último ano. Em 2016, a prefeitura gastou R$ 307 milhões em contratações emergenciais. Em 2018, foi R$ 1,2 bilhão. Um dos principais contratos desse tipo era do transporte coletivo da capital paulista, que aumentou os custos em aproximadamente 30%.

A licitação foi concluída por Covas em março, sem conseguir reduzir o custo das operações, por falta de concorrência, e mantendo os mesmos empresários que atuam desde 2003.

A principal promessa de campanha de Doria não se efetivou também com Covas. As privatizações que arrecadariam, no mínimo, R$ 5 bilhões, não trouxeram um centavo aos cofres públicos.

Para 2019, eram previstos R$ 3,7 bilhões de arrecadação com a desestatização para investimentos na cidade. No entanto, o orçamento deste ano prevê apenas R$ 1 bilhão. Dos 55 projetos prometidos, somente 19 tiveram algum andamento. E apenas sete projetos estão em fase avançada de licitação, dentre eles o Estádio do Pacaembu e o Mercado Municipal de Santo Amaro, que tiveram a licitação concluída, mas não assinaram os contratos.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Compartilhe esse Artigo:

spot_img

Últimas Notícias

Artigos Relacionados
Relacionados

Paulo Pimenta defende CPI do Banco Master após derrota de Jorge Messias no Senado

Líder do governo afirma que Congresso precisa instalar a...

Atuação do crime organizado na política avança sobre estruturas do Estado brasileiro

Facções criminosas deixaram de atuar apenas como financiadoras eleitorais...

Moraes nega pedido de Débora do Batom e trava aplicação imediata do PL da Dosimetria

Ministro do STF afirma que nova lei ainda não...

Suspeitos atraíram crianças com convite para empinar pipa antes de estupro coletivo em São Paulo, diz polícia

Investigação aponta que agressores eram vizinhos das vítimas e...
Jornal Local
Política de Privacidade

A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) já está em vigor no Brasil. Além de definir regras e deveres para quem usa dados pessoais, a LGPD também provê novos direitos para você, titular de dados pessoais.

O Blog Jornalocal tem o compromisso com a transparência, a privacidade e a segurança dos dados de seus clientes durante todo o processo de interação com nosso site.

Os dados cadastrais dos clientes não são divulgados para terceiros, exceto quando necessários para o processo de entrega, para cobrança ou participação em promoções solicitadas pelos clientes. Seus dados pessoais são peça fundamental para que o pedido chegue em segurança na sua casa, de acordo com o prazo de entrega estipulado.

O Blog Jornalocal usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.

Confira nossa política de privacidade: https://jornalocal.com.br/termos/#privacidade