Investigação aponta suposto esquema de fraudes em contratos da Secretaria Estadual de Educação do Rio; operação apura conexões políticas e possível proteção institucional ao crime organizado

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O deputado estadual Thiago Rangel (Avante) foi preso pela Polícia Federal nesta terça-feira (5), durante a 4ª fase da Operação Unha e Carne, que investiga fraudes em contratos públicos ligados à Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro (Seeduc). A ação foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e incluiu mandados de prisão preventiva e busca e apreensão em cidades do interior fluminense e na capital.
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Segundo a Polícia Federal, as investigações identificaram indícios de direcionamento de contratos de obras e fornecimento de materiais em escolas estaduais vinculadas à Diretoria Regional Noroeste da Seeduc, considerada pelos investigadores como área de influência política de Thiago Rangel. A suspeita é que empresas previamente selecionadas participavam de um esquema de favorecimento em licitações e contratos públicos.
Além de organização criminosa, os investigados poderão responder por peculato, fraude à licitação e lavagem de dinheiro. A PF também apura movimentações financeiras e possíveis conexões empresariais envolvendo contratos públicos firmados pela rede estadual de ensino.
A nova etapa da operação surgiu a partir da análise de aparelhos eletrônicos apreendidos na primeira fase da Unha e Carne, iniciada em dezembro de 2025. O material obtido pela PF teria revelado diálogos e articulações envolvendo o então deputado Rodrigo Bacellar (União Brasil), posteriormente cassado, que já era investigado por suposto vazamento de informações sigilosas de operações policiais contra o Comando Vermelho.
As fases anteriores da Operação Unha e Carne aprofundaram uma investigação considerada sensível pela PF e pela Procuradoria-Geral da República. O inquérito passou a apontar a existência de uma possível rede de proteção institucional envolvendo agentes políticos, integrantes do Judiciário e operadores ligados ao crime organizado no Rio de Janeiro.
Na segunda fase da operação, a Polícia Federal prendeu preventivamente o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região. A suspeita é de que informações sigilosas sobre operações policiais tenham sido compartilhadas com Rodrigo Bacellar, que, segundo os investigadores, teria repassado os dados ao ex-deputado Thiego Raimundo de Oliveira Santos, conhecido como TH Joias, apontado como articulador político do Comando Vermelho.
As investigações ganharam dimensão ainda maior após a Procuradoria-Geral da República relacionar o caso à chamada ADPF das Favelas, ação que discute limites e protocolos das operações policiais em comunidades do Rio. Segundo a PF, os vazamentos investigados podem ter comprometido ações estratégicas de combate ao crime organizado no estado.
Nos bastidores políticos fluminenses, a operação também amplia a pressão sobre grupos de poder que mantinham influência na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Investigadores apuram se contratos públicos da área da educação teriam sido utilizados como instrumento de sustentação política regional e eventual financiamento indireto de alianças locais.
A defesa do desembargador Macário Ramos Júdice Neto afirmou que as acusações são “ilegais” e sustentadas por uma narrativa sem provas materiais. Segundo os advogados, registros de localização de celulares demonstrariam que o magistrado não esteve com Rodrigo Bacellar no encontro apontado pela PF como origem do vazamento de informações sigilosas.
Já a defesa de Rodrigo Bacellar declarou que a denúncia da Procuradoria-Geral da República estaria baseada em “ilações” e afirmou que o ex-deputado não possui relação com os crimes investigados. Até o fechamento desta reportagem, a defesa de Thiago Rangel não havia divulgado posicionamento oficial sobre a prisão desta terça-feira.




