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Suspeitos atraíram crianças com convite para empinar pipa antes de estupro coletivo em São Paulo, diz polícia

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Investigação aponta que agressores eram vizinhos das vítimas e usaram relação de confiança para levá-las até imóvel onde ocorreram os abusos na Zona Leste da capital

Os envolvidos serão indiciados por estupro de vulnerável, divulgação de imagens envolvendo menores e
corrupção de menores. Foto Reprodução

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A Polícia Civil de São Paulo informou neste domingo (3) que os suspeitos investigados por participação no estupro coletivo de duas crianças na Zona Leste da capital atraíram as vítimas com a promessa de empinar pipa antes do crime, ocorrido em 21 de abril. O caso é investigado pelo 63º Distrito Policial, na Vila Jacuí.

Segundo os investigadores, os agressores conheciam as vítimas e eram vizinhos da família. De acordo com a delegada Janaína da Silva Dziadowczyk, a proximidade e a confiança foram usadas para levar as crianças até o imóvel onde os abusos ocorreram.

“Eles eram vizinhos e as crianças tinham confiança neles. Chamaram pra soltar pipa. Eles foram atraídos para esse imóvel porque falaram: ‘vamos soltar pipa, aqui tem uma linha’”, afirmou a delegada.

O caso só chegou ao conhecimento das autoridades três dias depois, após a irmã de uma das vítimas identificar imagens do abuso circulando nas redes sociais e procurar a delegacia para registrar a denúncia.

Segundo a Polícia Civil, cinco suspeitos já foram identificados. Quatro deles são adolescentes. Três foram apreendidos e um segue foragido. Um homem de 21 anos, investigado por participação no crime, foi preso na cidade de Brejões, na Bahia, e deve ser transferido para São Paulo nesta segunda-feira (4).

Os envolvidos serão indiciados por estupro de vulnerável, divulgação de imagens envolvendo menores e corrupção de menores.

A investigação também aponta que a família das vítimas vinha sofrendo pressão para não procurar a polícia. “As vítimas estavam sendo pressionadas para não registrarem boletim de ocorrência na delegacia. Embora estivesse circulando na internet, a família não havia registrado queixa”, declarou Janaína Dziadowczyk.

Segundo a delegada, a irmã que denunciou o caso não morava mais com a mãe das vítimas e reconheceu um dos irmãos ao visualizar o vídeo compartilhado nas redes sociais.

“Ela não tinha detalhes e não sabia o local. A família saiu com medo da comunidade. Teve gente que saiu com a roupa do corpo. Então, foi uma dificuldade encontrar essas vítimas. Elas vieram à delegacia, foram ouvidas e as crianças submetidas a exames”, afirmou.

De acordo com os investigadores, o homem preso na Bahia teria iniciado a gravação do crime usando o próprio celular. O material teria sido compartilhado por WhatsApp antes de se espalhar em redes sociais.

Agora, a Polícia Civil tenta identificar quem ajudou a disseminar as imagens na internet. “No primeiro momento a gente tinha a prioridade de identificar os agressores. No segundo momento vamos atrás para saber quem divulgou essas imagens”, afirmou o delegado Júlio Geraldo, titular do 63º DP.

O caso expõe novamente a combinação entre violência sexual contra crianças, circulação criminosa de conteúdo em aplicativos e o ambiente de medo enfrentado por famílias vulneráveis em comunidades periféricas, onde ameaças e intimidação podem dificultar denúncias e investigações.

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