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quinta-feira, maio 7, 2026
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Escândalo da rachadinha chega a Jair Bolsonaro

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O UOL mostra, por exemplo, que Jair Bolsonaro empregou em seu gabinete na Câmara, entre 1998 e 2006, Andrea Siqueira Valle, irmã de sua segunda mulher, Ana Cristina Siqueira Valle. Foto: Alan Santos/PR

Vários dos investigados no caso das rachadinhas no gabinete do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) quando ele era deputado estadual trabalharam também para o pai, Jair Bolsonaro, quando este era deputado federal, e do irmão e vereador, Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ).

E, da mesma forma como ocorria com Flávio, ao trabalhar com Jair e Carlos, esses funcionários realizaram uma série de movimentações bancárias típicas do esquema ilegal, mostra uma série de matérias publicada pelo UOL, que teve acesso à quebra de sigilos bancário e fiscal de pessoas e empresas ligadas a Flávio.

O UOL mostra, por exemplo, que Jair Bolsonaro empregou em seu gabinete na Câmara, entre 1998 e 2006, Andrea Siqueira Valle, irmã de sua segunda mulher, Ana Cristina Siqueira Valle.

O salário de Andrea era depositado em uma agência bancária que fica no Congresso Nacional. Um ano e dois meses depois que ela deixou de trabalhar para Jair, restavam na conta o equivalente a R$ 110 mil, feitas as correções monetárias. Pois todo esse dinheiro foi, então, transferido para uma conta de Ana Cristina, que ainda era mulher de Jair Bolsonaro.

Outro caso suspeitíssimo envolve a personal trainer Nathália Queiroz, filha do já conhecido Fabrício Queiroz. Depois de trabalhar nove anos no gabinete de Flávio na Alerj, ela foi para a Câmara dos Deputados, onde ficou até 2018. Os dados mostram que Nathália ficava com uma mesada de R$ 2 mil do salário que recebia do gabiente de Jair Bolsonaro, e o resto ela transferia para o pai. Foram mais de R$ 150 mil em menos de dois anos.

A quebra do sigilo mostra, ainda, que outros quatro funcionários que trabalharam para Jair Bolsonaro na Câmara retiraram 72% de seus salários em dinheiro vivo. Eles receberam R$ 764 mil líquidos, entre salários e benefícios, e sacaram um total de R$ 551 mil.

“As operações em dinheiro vivo são um indício de que a prática ilegal de devolução de salários de assessores também ocorreu no gabinete de Jair Bolsonaro, quando ele exerceu o mandato de deputado federal”, afirma a reportagem, que traz ainda indícios de rachadinha sendo praticada por Carlos Bolsonaro, com a participação, inclusive, de Leo Índio.

“Deixem o caso seguir”, pede senador do PT

A prática de rachadinha por Flávio e Carlos Bolsonaro continua sendo investigada, apesar das várias tentativas de que sejam enterradas. Jair Bolsonaro, por ser presidente, não pode ser investigado por atos que cometeu antes do mandato. É fundamental, no entanto, que a apuração sobre Flávio e Carlos continue.

Para o senador Paulo Rocha (PT-PA), as revelações do UOL explicam por que Jair Bolsonaro esteve sempre tão preocupado com as investigações sobre Flávio. “Os escândalos parecem não apenas respingar, mas levar a um esquema maior envolvendo a família. Se não têm nada a esconder, que deixem o caso seguir”, afirmou.

O deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP) também vê indícios de que a rachadinha constitui um verdadeiro negócio familiar. “Parece que não é só o Flávio Bolsonaro que tem história mal contada com rachadinhas. Há indícios da prática também nos mandatos de Jair Bolsonaro, quando era deputado federal, e Carlos Bolsonaro”, disse.

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