Contrato de R$ 12 milhões firmado pelo Instituto Conhecer Brasil é alvo de questionamentos após revelação de que empresa contratada teve como sócio empresário investigado por suposta ligação com a facção
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Um contrato de R$ 12 milhões firmado entre o Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização ligada à empresária Karina Ferreira da Gama, e a empresa Favela Conectada Serviço e Tecnologia Ltda. passou a ser alvo de questionamentos após a divulgação de que o então sócio da empresa, Alex Leandro Bispo dos Santos, é investigado por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e responde a processo por feminicídio em São Paulo. Karina também é proprietária da Go UP Entertainment, produtora responsável pelo filme Dark Horse, que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
As informações sobre a investigação envolvendo Alex Leandro foram divulgadas inicialmente pela Folha de S.Paulo e confirmadas por fontes do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil à GloboNews. Segundo o Ministério Público, o empresário é apontado como suposto integrante da facção criminosa, acusação negada por sua defesa.
O contrato foi celebrado no âmbito do Programa WiFi Livre, da Prefeitura de São Paulo, para implantação de pontos de internet em comunidades da capital paulista. Conforme a prestação de contas apresentada pelo Instituto Conhecer Brasil, a Favela Conectada teria instalado mais de 900 pontos de acesso e, até dezembro de 2025, havia recebido mais de R$ 2 milhões pelos serviços executados.
Documento apresentam inconsistências
Documentos do contrato também passaram a ser analisados por apresentarem inconsistências formais. No primeiro instrumento firmado entre o instituto e a empresa, o representante da Favela Conectada aparece identificado apenas como “Alex”, sem sobrenome ou dados pessoais completos, como CPF ou documento de identidade.
Levantamento realizado nos registros do Conselho Nacional de Justiça mostra que Alex Leandro Bispo dos Santos é citado em mais de 60 processos judiciais. A existência dessas ações não significa que ele seja réu em todos os casos, uma vez que o sistema também contabiliza recursos, revisões criminais e outros procedimentos processuais apresentados por sua defesa.
Entre os processos estão ações relacionadas a acusações de roubo, extorsão mediante sequestro e o caso da morte de Maria Katiane Gomes da Silva. Segundo denúncia do Ministério Público de São Paulo, Alex responde por feminicídio. A acusação sustenta que, após uma discussão registrada por câmeras de segurança, ele teria agredido a companheira antes de ela cair do décimo andar do edifício onde moravam.
Em depoimento à Polícia Civil, Alex admitiu ter agredido a vítima, afirmando que “perdeu a cabeça” e deu “uns tapas” na esposa, mas negou ter provocado sua morte. Segundo sua versão, Maria Katiane teria se jogado da sacada do apartamento.
Em janeiro de 2026, a Junta Comercial do Estado de São Paulo registrou alteração no quadro societário da Favela Conectada. A empresa deixou de ter Alex como sócio único e passou a ser administrada por Tatiane Camargo de Oliveira Fernandes, que, segundo os registros oficiais, reside no mesmo endereço anteriormente vinculado ao empresário.
A Prefeitura de São Paulo informou que não mantém contrato direto com a Favela Conectada. Segundo a administração municipal, a relação jurídica ocorre exclusivamente com o Instituto Conhecer Brasil, responsável pela escolha e contratação de fornecedores. A gestão também afirmou que, desde dezembro de 2025, a empresa deixou de participar do Programa WiFi Livre e que todos os serviços contratados permanecem em funcionamento. A prefeitura acrescentou que não há, até o momento, irregularidades confirmadas pelas investigações e classificou como indevida qualquer associação direta entre a administração municipal e organizações criminosas.
Em nota, o Instituto Conhecer Brasil informou que a contratação ocorreu após análise técnica e documental da empresa, que apresentava notas fiscais regulares e experiência na prestação de serviços de conectividade. A entidade afirmou que não existia impedimento legal à contratação no momento da assinatura do contrato e destacou que rescindiu a parceria assim que tomou conhecimento da investigação envolvendo o administrador da empresa. Segundo o instituto, todos os serviços foram fiscalizados, não houve prejuízo aos recursos públicos e a entidade permanece à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
A defesa de Alex Leandro Bispo dos Santos negou qualquer vínculo do empresário com o PCC e também rejeitou a acusação de feminicídio. Em nota, o advogado Eugênio Malavasi afirmou que “evidência não é prova” e declarou que seu cliente nega integrar organização criminosa. Sobre a morte de Maria Katiane, a defesa sustenta que Alex não provocou a queda da companheira e contestará a denúncia apresentada pelo Ministério Público durante a tramitação do processo.




