Análise do levantamento identifica metodologia consistente, mas destaca ausência de recortes regionais e resultados que divergem de padrões históricos do eleitorado paulista
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A pesquisa Genial/Quaest sobre a disputa pelo Governo de São Paulo em 2026 apresenta uma metodologia considerada robusta pelos padrões do mercado, porém a divulgação dos resultados deixa questões relevantes sem resposta. Uma auditoria técnica do levantamento indica que, embora não haja evidências de indução nas perguntas ou manipulação dos dados, faltam informações que ajudariam a compreender melhor como está distribuída a intenção de voto no estado. O levantamento inclui intenção de voto espontânea e estimulada, segundo turno, rejeição, aprovação e avaliação do governo, além de cruzamentos por sexo, idade, escolaridade, renda, religião e posicionamento político.
Pesquisa
O levantamento foi contratado pela Genial Investimentos e realizado pela Quaest, instituto que utiliza entrevistas presenciais, amostragem probabilística e ponderação estatística para representar o eleitorado paulista. Segundo a metodologia divulgada, a pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral, possui nível de confiança de 95% e margem de erro de dois pontos percentuais.

A sequência do questionário segue um padrão adotado internacionalmente em pesquisas eleitorais. Primeiro são feitas perguntas sobre intenção de voto espontânea, depois intenção estimulada, firmeza do voto, cenários de segundo turno, rejeição e, somente posteriormente, questões sobre aprovação e avaliação do governo. Essa estrutura reduz o risco de que perguntas sobre desempenho administrativo influenciem diretamente a escolha eleitoral.
O principal ponto observado na auditoria é a ausência de um detalhamento regional do voto. Embora a pesquisa apresente diversos cruzamentos demográficos, não divulga como estão distribuídas as intenções de voto entre a capital, Região Metropolitana, interior e litoral paulista. Essa informação é considerada estratégica porque São Paulo possui eleitorados bastante distintos em regiões como Campinas, Ribeirão Preto, Vale do Paraíba, Baixada Santista, Sorocaba e Presidente Prudente.
A falta desse recorte ganha importância porque, segundo os resultados divulgados, Fernando Haddad (PT) apresenta desempenho mais competitivo na capital paulista, enquanto Tarcísio de Freitas (Republicanos) mantém vantagem no resultado estadual. Sem a segmentação geográfica, não é possível identificar em quais regiões o governador amplia sua vantagem nem qual o peso eleitoral de cada área na composição do resultado final.
Outro aspecto que chamou atenção é o comportamento do eleitor com ensino superior. Historicamente, Fernando Haddad costuma apresentar melhor desempenho nesse segmento, em razão de sua trajetória como professor universitário e ex-ministro da Educação. No entanto, os cruzamentos divulgados pela pesquisa não indicam uma liderança clara do petista entre os eleitores de maior escolaridade. Esse resultado pode refletir mudanças no perfil político desse grupo, maior competitividade de Tarcísio entre profissionais liberais e empresários ou diferenças regionais que não aparecem na divulgação pública.
A pesquisa também revela que parte significativa do eleitorado ainda afirma que pode mudar de voto até a eleição. Esse dado demonstra que o cenário permanece aberto e que as intenções registradas representam um retrato do momento da coleta, e não uma previsão definitiva do resultado eleitoral.
Na comparação metodológica com outros institutos, como Datafolha, Ipec, Paraná Pesquisas e AtlasIntel, a Quaest utiliza entrevistas presenciais e procedimentos semelhantes aos adotados pelos principais levantamentos nacionais. A principal diferença está na forma de seleção da amostra e nos modelos estatísticos utilizados por cada empresa, fatores que podem explicar divergências entre pesquisas sem que isso represente, necessariamente, erro metodológico.
O histórico recente também mostra que a Quaest apresentou desempenho próximo ao resultado final em diversas disputas nacionais e estaduais, especialmente nas eleições de 2022, permanecendo, em geral, dentro da margem de erro nas estimativas finais. Ainda assim, especialistas lembram que pesquisas eleitorais medem intenção de voto no momento da entrevista e não devem ser interpretadas como previsão do resultado das urnas.
A auditoria conclui que não há elementos que indiquem indução deliberada dos entrevistados pela ordem das perguntas ou pela metodologia utilizada. No entanto, a ausência de informações sobre a distribuição regional do eleitorado e a falta de cruzamentos mais detalhados entre renda, escolaridade e localização geográfica limitam uma compreensão mais precisa do cenário eleitoral paulista. Para cientistas políticos e analistas, esses dados seriam fundamentais para explicar como cada candidato constrói sua base eleitoral e quais regiões podem decidir a eleição de 2026.
Quem financiou a pesquisa
A pesquisa foi realizada pela Quaest e contratada pela Genial Investimentos (Banco Genial). Esse modelo de contratação é público e informado pelo instituto. O contratante financia o levantamento, mas isso, por si só, não demonstra interferência nos resultados. A credibilidade depende da transparência metodológica e da possibilidade de auditoria externa.
Falta uma análise de alguns cruzamentos
- voto por região administrativa do estado;
- capital × Grande São Paulo × interior × litoral;
- tamanho do município;
- renda combinada com escolaridade;
- escolaridade dentro da capital.
Esses dados permitiriam responder perguntas importantes, como:
- Haddad ganha apenas na capital ou também nas cidades médias?
- Tarcísio domina o interior agrícola ou também as cidades industriais?
- O eleitor de ensino superior está migrando para Tarcísio em todo o estado ou apenas fora da capital?




