Barragem cearense rompe por erro de instalação e operação, aponta MDR

Data:

Barragem de Jati: Falhas ocorreram na instalação e operação de válvulas da tubulação

rompimento de um duto de concreto da barragem de Jati, no interior do Ceará, em agosto deste ano, foi causado por uma falha na montagem de um conjunto de válvulas. A conclusão consta do relatório final que peritos entregaram ao Ministério do Desenvolvimento Regional nesta terça-feira (1º).

Segundo a pasta, os especialistas identificaram falhas na instalação e operação de válvulas da tubulação do ramal 2 do empreendimento, que faz parte do Eixo Norte do Projeto de Integração do Rio São Francisco. Isto teria ocasionado o fechamento indevido de uma válvula, levando o volume d´água a exceder a capacidade do duto, que se rompeu.

O vazamento do grande volume de água que se acumulou acabou danificando o talude da barragem, gerando prejuízos materiais e atrasos no projeto de integração. O acidente não causou mortes ou ferimentos graves, mas cerca de 2 mil pessoas tiveram que ser temporariamente removidas das proximidades. Posteriormente, foi decretada situação de emergência municipal e o governo federal autorizou o repasse de R$ 100,6 mil para assistência às famílias afetadas.

“Falhas nas fases/atividades de montagem e comissionamento do conjunto de válvulas (esférica e dispersora) impactaram para as condições seguras de Operação da Barragem Jati”, destacou o ministério, em nota em que aponta que a “sequência de falhas aponta para um somatório de erros” por parte do consórcio responsável por esta parte da obra, formado pelas empresas CMT Engenharia e Fahma Planejamento e Engenharia.

A perícia descartou a possibilidade de sabotagem na tubulação, sustentando que foi “a montagem incompleta” o que inviabilizou a operação automática do conjunto de válvulas que garantiria a segurança de operação. “Esta montagem e comissionamento deveriam ter sido realizados pelo consórcio contratado para a operação”, acrescenta o Ministério do Desenvolvimento Regional.

Especialistas avaliaram as estruturas afetadas e, segundo o ministério, atestaram que o terreno está estável, não exigindo obras adicionais. Um processo administrativo foi instaurado e, após calcular todos os prejuízos, o Ministério do Desenvolvimento Regional acionará a CMT e a Fahma para que reparem os gastos. “Caso necessário, os envolvidos serão acionados judicialmente”, informa a pasta.

Consultados, representantes das duas empresas consorciadas disseram à Agência Brasil que souberam do resultado da perícia contratada pelo ministério por meio da divulgação da nota à imprensa. A Fahma informou à reportagem que caberia a CMT se pronunciar sobre as conclusões dos peritos. Já a CMT informou que está analisando as conclusões parcialmente divulgadas pelo ministério e buscando mais detalhes para elaborar uma manifestação que deve divulgar em breve.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Compartilhe esse Artigo:

spot_img

Últimas Notícias

Artigos Relacionados
Relacionados

Fatura de Vorcaro registra pagamento de R$ 500 mil a alfaiataria frequentada por Mendonça

Documento financeiro obtido em processo judicial aponta transação realizada...

Fachin promete rigor na apuração do caso Master e diz que STF não fará “atalhos jurídicos”

Presidente do Supremo afirma que acusações contra integrantes da...
Eduardo Pacheco da Silva foi abordado durante a noite em uma área de mata após seguranças relatarem que ele teria ido ao local para buscar integrantes de um grupo...