Maioria dos vereadores arquivou representações relacionadas à crise do transporte coletivo; oposição votou pela abertura das investigações

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A Câmara Municipal de Campinas rejeitou, durante sessão realizada nesta segunda-feira (15), os pedidos de abertura de Comissão Processante (CP) contra o prefeito Dário Saadi (Republicanos), o vereador Higor Diego (Republicanos) e uma nova representação contra o vereador Vini Oliveira (Cidadania). As propostas foram arquivadas pela maioria dos parlamentares, mantendo apenas as investigações que já estão em andamento no Legislativo e nos órgãos de controle.
A votação confirmou o cenário que já era esperado nos bastidores da política campineira. Apenas vereadores da oposição se posicionaram favoravelmente à abertura das comissões, enquanto a base governista e parlamentares de centro optaram pelo arquivamento dos requerimentos.
A sessão também foi marcada por ausências consideradas relevantes. O vereador Vini Oliveira não participou dos trabalhos legislativos e segue afastado das atividades presenciais desde o surgimento das investigações envolvendo a empresa Smile. Também estiveram ausentes os vereadores Nelson Hossri (PSD) e Marcelo Silva (PP).
No caso do prefeito Dário Saadi, o pedido de Comissão Processante estava relacionado a áudios divulgados recentemente envolvendo discussões sobre o sistema de transporte público municipal. A avaliação predominante entre os vereadores foi de que os elementos apresentados não demonstravam participação direta do prefeito em eventuais irregularidades nem apresentavam provas suficientes para justificar a abertura de uma investigação político-administrativa.
Já a representação contra Higor Diego gerou maior debate em plenário. Os diálogos divulgados mostram o vereador discutindo temas relacionados à prorrogação de contratos do transporte coletivo e interlocuções com representantes do setor. Apesar disso, a maioria dos parlamentares concluiu que o material apresentado não reunia elementos suficientes para a instauração de uma Comissão Processante que poderia resultar na perda do mandato.
DISCURSO DE HIGOR GERA NOVOS QUESTIONAMENTOS
Durante a sessão, o pronunciamento de Higor Diego acabou atraindo atenção especial dos vereadores e observadores da política local. Ao defender sua atuação, o parlamentar afirmou que foi procurado por representantes da empresa Smile para auxiliar na interlocução com integrantes do governo municipal.
Segundo o vereador, empresários do setor teriam solicitado ajuda para apresentar informações e esclarecer questões relacionadas ao transporte coletivo junto à administração pública. A declaração provocou reações da oposição, que questionou o papel desempenhado pelo parlamentar nessas conversas.
A vereadora Mariana Conti argumentou que a própria explicação apresentada por Higor poderia reforçar interpretações sobre uma atuação como intermediador entre interesses privados e agentes públicos. O vereador, por sua vez, sustentou que sua conduta ocorreu dentro das atribuições normais do mandato parlamentar.
No caso de Vini Oliveira, a nova tentativa de abertura de Comissão Processante foi rejeitada sob o argumento de que os fatos relacionados às declarações envolvendo o vereador Benê Lima (PL) já estão sendo analisados pela Corregedoria da Câmara. Além disso, parte dos vereadores demonstrou resistência à abertura de novos procedimentos paralelos enquanto permanece em andamento a Comissão Processante ligada ao caso Smile.
Embora os pedidos tenham sido arquivados, as investigações relacionadas à crise do transporte coletivo continuam em diferentes esferas. Além da Comissão Processante já instaurada contra Vini Oliveira, os fatos seguem sob análise da Polícia Civil e do Ministério Público.
A decisão da Câmara não representa julgamento de mérito sobre as acusações ou denúncias apresentadas, mas sim a avaliação política de que os requerimentos não reuniam, neste momento, apoio suficiente para a abertura de novas comissões de investigação no Legislativo municipal.




