Delator ligado a Vorcaro aparece em 570 registros de prêmios da loteria que somam R$ 176,4 milhões

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Os registros chamaram a atenção dos investigadores pela frequência e pelo volume financeiro. Foto Divulgação

Empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, o “Mineiro”, é alvo da terceira fase da Operação Carbono Oculto; registros de apostas são analisados pelo MP-SP como possível mecanismo de movimentação de recursos

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O empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, aparece como ganhador em 570 registros de prêmios e apostas que totalizam R$ 176.454.302 entre 2020 e 2025, segundo relatórios de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) citados na decisão judicial que autorizou medidas da terceira fase da Operação Carbono Oculto, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e pela Receita Federal.

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Os registros chamaram a atenção dos investigadores pela frequência e pelo volume financeiro. A apuração considera a possibilidade de que determinadas premiações tenham sido utilizadas para dissimular a origem de recursos, hipótese que ainda está sendo investigada e não representa, por si só, comprovação de crime.

Segundo as informações reunidas na investigação, terceiros poderiam realizar apostas e os valores registrados posteriormente como prêmios seriam transferidos para contas relacionadas a empresas ligadas a Freixo. Entre as empresas citadas está a Entre Investimentos, companhia que também aparece em outras investigações envolvendo o empresário e o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Carbono Oculto

Freixo foi um dos alvos da terceira fase da Operação Carbono Oculto, que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro e a atuação de organizações criminosas no setor de combustíveis.

Além dos registros de prêmios e apostas, documentos mencionados na investigação apontam cerca de R$ 1,67 bilhão em operações imobiliárias relacionadas ao empresário e aproximadamente R$ 1,21 milhão em movimentações em dinheiro vivo. Os valores integram o conjunto de informações analisadas pelos investigadores.

Outro ponto sob análise é uma transferência de aproximadamente R$ 620 mil da Entre Investimentos para a Quimicolor, empresa que aparece em apurações relacionadas a operações envolvendo metanol e adulteração de combustíveis.

A existência dessa transferência, isoladamente, não demonstra que Freixo tenha participado de eventual organização criminosa. O vínculo financeiro é um dos elementos que passaram a ser examinados pela investigação.

O elo com Daniel Vorcaro

Conhecido no mercado financeiro como “Mineiro”, Freixo é apontado pela Polícia Federal como operador financeiro ligado a Daniel Vorcaro. Em setembro, ele firmou acordo de colaboração premiada no âmbito das investigações relacionadas ao Banco Master. A delação foi homologada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Freixo também aparece na investigação sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro (PL). Segundo a apuração, a empresa do empresário realizou transferências para o Havengate Development Fund, nos Estados Unidos.

As transferências totalizaram aproximadamente US$ 12,3 milhões em 2025, segundo informações divulgadas no âmbito da investigação. O fundo é associado a Paulo Calixto, advogado ligado a Eduardo Bolsonaro.

Em sua colaboração, Freixo relatou operações financeiras realizadas por meio da Entre Investimentos. A investigação busca estabelecer a origem dos recursos, o percurso das transferências e a finalidade das operações.

Apostas entram no radar dos investigadores

O ponto que agora acrescenta uma nova dimensão ao caso é justamente a quantidade de registros de prêmios. Quinhentos e setenta ocorrências em aproximadamente cinco anos, somando R$ 176,4 milhões, passaram a ser examinadas em conjunto com outras movimentações financeiras atribuídas ao empresário.

Para os investigadores, o volume e a frequência justificam a análise sobre a origem dos valores e sobre quem efetivamente realizou as apostas. A hipótese de lavagem de dinheiro ainda precisa ser comprovada no curso da investigação.

As loterias não são apontadas como integrantes do esquema investigado. O foco está na eventual utilização dos registros de premiação como instrumento para movimentação ou legitimação de recursos de origem ilícita.

O caso reúne, portanto, diferentes linhas de investigação: as movimentações relacionadas ao setor de combustíveis, as operações financeiras envolvendo Freixo e Vorcaro, a colaboração premiada do empresário e os repasses associados à produção de “Dark Horse”.

A apuração segue em andamento e deverá determinar se os 570 registros correspondem efetivamente a ganhos obtidos em apostas ou se fazem parte de uma estrutura financeira mais ampla investigada pelas autoridades.

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