Flávio Bolsonaro nega nas redes plano para retirar Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil, fato foi divulgado por jornalista

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Flávio Bolsonaro nega intenção de retirar título de padroeira do Brasil; enquanto CNBB amplia manifestações sobre democracia e participação eleitoral

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A relação entre religião e política voltou ao centro da disputa eleitoral de 2026 após a circulação de informações que associaram o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) a uma suposta articulação para retirar Nossa Senhora Aparecida da condição de Padroeira do Brasil. O senador negou a existência de qualquer projeto com esse objetivo, enquanto a própria GloboNews publicou uma correção após a repercussão do episódio.

O conteúdo que voltou a circular nas redes sociais foi relacionado ao Projeto de Lei 2.623/2007, apresentado pelo então deputado federal Victório Galli. A proposta pretendia alterar a legislação referente ao feriado de 12 de outubro e substituir a denominação “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. O projeto foi arquivado pela Câmara em agosto de 2008 e não está atualmente em tramitação.

Flávio Bolsonaro publicou um vídeo na quinta-feira (24) negando qualquer intenção de alterar o título religioso. “Isso é uma grande mentira. Não tem pé nem cabeça. Não existe esse projeto”, declarou o candidato, que também afirmou respeitar todas as religiões e as pessoas que não possuem religião.

A associação entre o senador e o projeto antigo ganhou força depois de comentários sobre uma possível movimentação de setores evangélicos em torno da questão religiosa. A repercussão levou a GloboNews a corrigir a informação divulgada anteriormente. O episódio mostra como uma proposta legislativa arquivada há quase duas décadas voltou a circular em plena campanha presidencial.

Igreja Católica amplia discussão sobre democracia

Ao mesmo tempo em que a polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida ganhou as redes sociais, a Igreja Católica vem promovendo iniciativas públicas para discutir eleições, democracia e participação cidadã.

Em 2 de setembro, a CNBB reuniu sete cardeais brasileiros no programa “Igreja e política – Diálogo dos Cardeais do Brasil”, transmitido pela Rede Vida. Participaram dom Odilo Pedro Scherer, dom Orani João Tempesta, dom Jaime Spengler, dom Sérgio da Rocha, dom Paulo Cezar Costa, dom Raymundo Damasceno Assis e dom João Braz de Aviz. Segundo a CNBB, o objetivo foi promover reflexão sobre política, eleições, responsabilidade e bem comum.

A entidade também lançou a série “Discernimento Católico – Eleições 2026”. Um dos episódios, divulgado em setembro, tratou especificamente de “Democracia e desafios da política no Brasil”, abordando a importância das instituições, participação cidadã e confiança no processo eleitoral.

As iniciativas não representam, segundo a própria descrição da CNBB, indicação de voto em candidato ou partido. O foco declarado é oferecer elementos para que os eleitores formem sua própria consciência sobre a escolha eleitoral.

Disputa pelo eleitorado religioso

A religião, entretanto, ocupa espaço crescente na campanha presidencial. Flávio Bolsonaro tem buscado dialogar com segmentos religiosos, especialmente o eleitorado evangélico, enquanto também enfrenta o desafio de ampliar sua interlocução com católicos.

Levantamentos e análises recentes mostram que a população católica continua numericamente expressiva no Brasil, embora sua participação tenha diminuído nas últimas décadas, ao mesmo tempo em que o segmento evangélico cresceu. A presença dessas comunidades no debate político transformou símbolos religiosos e pautas de fé em elementos recorrentes das campanhas.

O ambiente também é marcado pela circulação de conteúdos religiosos nas redes sociais. Uma análise divulgada em setembro sobre as redes evangélicas identificou forte mobilização política em torno de temas relacionados ao bolsonarismo, ao Supremo Tribunal Federal e à disputa eleitoral. O levantamento analisou 26.762 publicações e 189 milhões de interações no período estudado.

Nesse contexto, a controvérsia envolvendo Nossa Senhora Aparecida precisa ser separada dos fatos comprovados. Não há, nas fontes consultadas, registro de um projeto atual de Flávio Bolsonaro para retirar da santa o título de Padroeira do Brasil. O projeto legislativo que trata diretamente da mudança é de 2007, foi apresentado por Victório Galli e está arquivado desde 2008.

O que existe é uma disputa política mais ampla envolvendo religião, identidade nacional, democracia e mobilização eleitoral. De um lado, candidatos procuram dialogar com diferentes comunidades religiosas. De outro, organizações religiosas vêm ampliando manifestações sobre participação cidadã e critérios para a escolha dos representantes.

A diferença entre esses fatos é fundamental: uma coisa é a Igreja discutir democracia e orientar fiéis sobre participação política; outra é atribuir a uma candidatura um projeto que não existe em tramitação.

A eleição de 2026 mostra, mais uma vez, que a religião deixou de aparecer apenas nas celebrações e passou a ocupar também o espaço das campanhas, das redes sociais e do debate institucional. E, quando um projeto arquivado em 2008 reaparece como assunto eleitoral em 2026, o mínimo que o jornalismo pode fazer é abrir a gaveta dos documentos antes de abrir a caixa de comentários da internet.

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