Meta restringe anúncios da campanha de Lula a 10 dias da eleição: empresa está envolvida em controvérsia eleitoral no Brasil

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A restrição da conta de Lula ocorre enquanto a própria Meta está envolvida em outra controvérsia eleitoral no Brasil. Foto Ricardo Stuckert/PR

A restrição da conta de Lula ocorre enquanto a própria Meta está envolvida em outra controvérsia eleitoral no Brasil.

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A Meta restringiu, na quarta-feira (23), a conta utilizada pela campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para anúncios no Facebook, impedindo a publicação de novas propagandas na reta final do primeiro turno das eleições. A campanha e o PT recorreram à empresa nesta quinta-feira (24) e solicitaram o restabelecimento da conta em até seis horas. A votação do primeiro turno está marcada para 4 de outubro.

A conta atingida é identificada como “Eleições 2026 Luiz Inácio Lula da Silva Presidente” e é utilizada para contratação e gerenciamento de publicidade eleitoral. Segundo a campanha, a Meta comunicou que “algumas das suas atividades não seguem nossas regras”, mas não informou qual norma teria sido violada, quais conteúdos motivaram a restrição ou apresentou publicamente os elementos que fundamentaram a decisão.

No recurso apresentado à plataforma, a coligação Brasil Pronto pra Mais e o PT classificaram a medida como “unilateral, imotivada e desamparada de qualquer justificativa objetiva”. A equipe jurídica pediu que a decisão seja submetida a uma revisão humana por profissionais das áreas jurídica e de conformidade da Meta.

A campanha argumenta que a restrição ocorre em um período particularmente sensível da disputa eleitoral e afirma que a impossibilidade de veicular novos anúncios representa um “grave risco à paridade de armas”. Os advogados também sustentam que a falta de informação sobre a suposta infração impede a campanha de identificar e corrigir eventual conduta que tenha provocado a punição.

Outro pedido apresentado à Meta é a preservação dos registros digitais relacionados à conta, incluindo logs e demais dados associados ao procedimento que levou à restrição. A medida permitiria, segundo o recurso, preservar elementos para eventual discussão administrativa ou judicial.

Decisão ocorre em meio a outras disputas envolvendo a Meta

A restrição da conta de Lula ocorre enquanto a própria Meta está envolvida em outra controvérsia eleitoral no Brasil. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) abriu investigação sobre uma rede de perfis no Instagram que, segundo representação apresentada pela campanha de Lula, teria utilizado a ferramenta de publicações colaborativas para ampliar conteúdos relacionados à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). O ministro Ricardo Villas Bôas Cueva determinou a preservação e o fornecimento de dados pela Meta.

A existência das duas situações não estabelece, por si só, qualquer relação entre a investigação do TSE e a restrição da conta de Lula. Também não há, nas informações públicas disponíveis até o momento, evidência de que a Meta tenha adotado a medida contra a campanha petista com o objetivo de favorecer outro candidato.

O ponto ainda sem esclarecimento é qual regra da plataforma teria sido violada pela conta de anúncios de Lula. Sem essa informação, não é possível avaliar publicamente se a restrição decorreu de conteúdo específico, procedimento automatizado, problema cadastral, suspeita de violação das regras de publicidade política ou outro motivo.

Campanha admite recorrer ao TSE

Caso a Meta não restabeleça a conta, a campanha afirma que poderá levar o caso à Justiça Eleitoral. O secretário nacional de Comunicação do PT, Éden Valadares, também declarou que o partido avalia recorrer ao TSE.

A discussão coloca novamente as plataformas privadas de tecnologia no centro do processo eleitoral. Facebook e Instagram são utilizados pelas campanhas para distribuição de conteúdo e publicidade política, enquanto as empresas mantêm regras próprias de moderação e publicidade.

A questão que deverá ser esclarecida nos próximos dias é objetiva: qual regra foi supostamente violada, qual conteúdo ou atividade provocou a restrição e por que a campanha não recebeu essas informações no momento do bloqueio.

Até a publicação desta reportagem, a Meta não havia apresentado publicamente a justificativa específica para a restrição.

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