Representantes do setor produtivo e analistas de mercado afirmam que manifestação do senador priorizou aspectos políticos, enquanto audiência discutia impactos econômicos de possível sobretaxa sobre produtos brasileiros.
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A participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma audiência pública do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre a proposta de aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros foi recebida com críticas por parte de empresários, gestores e analistas do mercado financeiro. Segundo relatos publicados pelo jornal O Globo, representantes do setor privado esperavam uma defesa baseada em argumentos técnicos e econômicos para contestar a medida.
Durante a audiência, Flávio Bolsonaro defendeu que o governo norte-americano adie eventual decisão sobre as tarifas, argumentando que o Brasil realizará eleições presidenciais nos próximos meses e que o cenário político poderá mudar. Em sua manifestação, também abordou temas como corrupção, o sistema de pagamentos Pix e cartões de crédito. O Pix está entre os assuntos questionados pelo governo dos Estados Unidos na investigação comercial em andamento.
Empresários ouvidos sob condição de anonimato avaliaram que a participação do senador deu pouca ênfase aos impactos econômicos da medida sobre o comércio bilateral, as cadeias produtivas e empresas dos próprios Estados Unidos. A expectativa, segundo esses relatos, era que fossem apresentados dados técnicos para embasar a posição brasileira.
O sócio da Valor Investimentos, Daniel Teles, avaliou que a participação de Flávio Bolsonaro teve impacto institucional limitado, destacando que audiências do USTR costumam considerar principalmente contribuições técnicas apresentadas por empresas, associações setoriais e especialistas. Na mesma linha, o estrategista-chefe da MZM Wealth, Paulo Bittencourt, afirmou que a pressão exercida por empresas norte-americanas tende a ter maior influência sobre a decisão do órgão do que manifestações políticas.
O economista e ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega também afirmou que a decisão do USTR deverá se basear em critérios técnicos relacionados à política comercial dos Estados Unidos, avaliando que o calendário eleitoral brasileiro dificilmente terá peso determinante no processo.
Até o momento, o senador Flávio Bolsonaro mantém o posicionamento de que a adoção imediata das tarifas seria inadequada diante do contexto político brasileiro. Não houve manifestação oficial do USTR sobre os argumentos apresentados durante a audiência pública.
Participação pífia de Flávio Bolsonaro ganhou editoral do Folha SP
Em editorial publicado nesta quinta-feira (9), o jornal O Estado de S. Paulo criticou a atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante audiência promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que debate a possibilidade de imposição de tarifas sobre produtos brasileiros. No texto, o veículo afirma que o parlamentar utilizou um espaço destinado à discussão técnica para fazer um discurso de caráter político.
Segundo o editorial, intitulado “Flávio Bolsonaro desserve o Brasil”, o senador priorizou críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em vez de apresentar argumentos voltados à defesa das exportações brasileiras. O jornal também afirma que Flávio sugeriu às autoridades norte-americanas que aguardassem o resultado das eleições presidenciais no Brasil antes de avançar nas negociações comerciais, sob o argumento de que um eventual novo governo teria maior alinhamento com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.




