Manifestantes ligados ao MBL e ao partido Missão interromperam palestra do pré-candidato ao governo de São Paulo; Polícia Militar foi acionada, mas informou que não precisou intervir
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A aula magna do pré-candidato ao Governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), foi interrompida na noite desta quinta-feira (2) após manifestantes ligados ao Movimento Brasil Livre (MBL) e ao partido Missão promoverem um protesto durante o evento realizado no Teatro de Arena da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A atividade discutia os desafios da economia brasileira quando integrantes do grupo passaram a gritar durante a fala do petista, provocando tumulto que terminou em empurrões e agressões físicas.
A segurança retirou os manifestantes do teatro e, posteriormente, do campus. A Polícia Militar foi acionada, mas informou que a situação já havia sido controlada quando as equipes chegaram ao local.
Segundo testemunhas, pelo menos dois manifestantes, identificados como Matheus Pereira, pré-candidato a deputado estadual pelo partido Missão, e Gabriel Piauhy, pré-candidato a deputado federal pela mesma legenda, interromperam a palestra com questionamentos dirigidos a Haddad. Eles foram vaiados pelo público presente. Após a retirada dos manifestantes, vídeos publicados nas redes sociais registraram trocas de empurrões e socos nas proximidades da Diretoria Acadêmica da universidade.
Durante o tumulto, Haddad permaneceu no palco e, ao retomar a apresentação, afirmou que não havia compreendido o conteúdo das manifestações. Ao encerrar a aula magna, disse estar “treinando, exercitando cabeça e corpo” para a campanha eleitoral e declarou que pretende “ganhar de qualquer jeito”. O pré-candidato deixou o local sem conceder entrevista.
Após o episódio, Matheus Pereira afirmou que compareceu ao evento para questionar Haddad sobre a chamada “taxa das blusinhas” e sobre uma suposta campanha eleitoral antecipada. Em nota, declarou ter sido agredido por estudantes e seguranças durante a confusão.
“A todo momento, deixamos claro que não queríamos briga. Fui agredido por um indivíduo que estava participando do evento e por um funcionário.”
Participantes da aula magna apresentaram versão diferente. Segundo relatos, cerca de dez integrantes do MBL e do partido Missão compareceram ao evento com o objetivo de provocar tumulto e produzir conteúdo para redes sociais, gritando referências ao chamado “Careca do INSS”, em alusão às investigações sobre descontos ilegais em benefícios previdenciários.
O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Unicamp divulgou nota atribuindo o início da confusão aos manifestantes.
“A briga mencionada na mídia foi causada por militantes da direita que vieram ao evento provocar e causar tumulto. Eles foram retirados do evento imediatamente e nenhum participante do evento interagiu com os mesmos, mas infelizmente geraram confusão pela Unicamp.”
O DCE também afirmou que funcionários da segurança da universidade foram desrespeitados durante a ocorrência.
O episódio ocorre uma semana após outro protesto envolvendo integrantes do partido Missão durante agenda de Fernando Haddad em Santo André, quando Gabriel Piauhy questionou o pré-candidato sobre as investigações relacionadas ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A repetição dos atos em eventos públicos do petista chama atenção para uma estratégia recorrente de manifestações promovidas por integrantes do grupo.
Até a publicação desta reportagem, a pré-campanha de Fernando Haddad e a Reitoria da Unicamp não haviam divulgado nota oficial sobre os acontecimentos. Em publicação nas redes sociais, Haddad comentou apenas a realização da aula magna, sem mencionar o protesto ou o tumulto ocorrido durante o evento.




