Governo brasileiro afirma não ter sido comunicado oficialmente sobre a decisão e aguarda manifestação formal de Washington

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O Ministério das Relações Exteriores do Brasil manifestou discordância após autoridades dos Estados Unidos determinarem a saída do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho do território americano, medida divulgada em 20 de abril de 2026. Segundo fontes do governo, a decisão teria sido comunicada de forma indireta, sem notificação formal pelos canais diplomáticos, o que contraria protocolos entre os dois países. O Itamaraty informou que aguarda posicionamento oficial antes de adotar medidas ou emitir nota detalhada.
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A solicitação foi tornada pública pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos após a atuação do delegado em investigações que resultaram na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem em solo americano. Ramagem chegou a ser detido, mas foi liberado dois dias depois. A divulgação ocorreu por meio do perfil oficial do Escritório para o Hemisfério Ocidental na rede social X.
O episódio ocorre em meio a uma troca previamente planejada no posto. Documentos oficiais indicam que a própria Polícia Federal já havia determinado, em portaria assinada em 17 de março e publicada no Diário Oficial da União em 20 de março, a substituição de Marcelo Ivo no cargo de oficial de ligação junto ao Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE), em Miami.
A delegada Tatiana Alves Torres foi designada para assumir a função por um período de dois anos. A antecipação da mudança sugere que a substituição fazia parte de um processo interno de rotatividade, anterior à decisão anunciada pelas autoridades americanas.
Cooperação internacional sob tensão
O cargo de oficial de ligação é considerado estratégico para a cooperação internacional em segurança pública, permitindo intercâmbio de informações entre autoridades brasileiras e americanas. Marcelo Ivo de Carvalho ocupava a função desde agosto de 2023 e acumula 22 anos de carreira na Polícia Federal, com passagens por cargos de chefia no combate ao crime organizado e superintendências regionais.
Nos bastidores diplomáticos, a ausência de comunicação formal é vista como um ponto sensível, já que decisões dessa natureza costumam ser tratadas por vias institucionais. Até o momento, não há confirmação oficial sobre os motivos específicos que levaram à determinação americana, o que mantém o episódio em aberto e sob acompanhamento das autoridades brasileiras.




