Governo do Rio Claudio Castro entregou a embaixada dos EUA documento pedindo que facções brasileiras sejam classificadas como narcoterroristas

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Iniciativa teria sido articulada à revelia do governo federal e pode abrir brecha para interferência estrangeira, segundo fontes em Brasília


Por Sandra Venancio

Representantes do governo do Rio de Janeiro entregaram, há alguns meses, um documento confidencial à embaixada dos Estados Unidos, em Brasília, com uma lista de possíveis benefícios da declaração de facções criminosas brasileiras como organizações narcoterroristas. A informação foi revelada pela jornalista Malu Gaspar, em transmissão da GloboNews, nesta segunda-feira (3).

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Segundo a apuração, o governador Cláudio Castro (PL) chegou a viajar a Nova York para tratar pessoalmente do tema com autoridades norte-americanas. A movimentação faz parte de uma articulação entre governadores de direita — entre eles, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro — que buscam firmar acordos diretos com o governo dos EUA, sem a intermediação do governo federal.

As revelações vêm à tona poucos dias após a chacina policial ocorrida no Rio de Janeiro, em 28 de outubro, que deixou ao menos 121 mortos em uma operação que tinha como alvo o Comando Vermelho (CV). Foto Joedson Alves/Agencia Brasil

Essas negociações, segundo interlocutores do Palácio do Planalto, foram classificadas como uma “irresponsabilidade institucional”, já que relações diplomáticas são prerrogativa exclusiva da União.

https://twitter.com/vozesspaces/status/1985452888466849966

Fontes ouvidas pela GloboNews afirmaram que a estratégia seria estreitar laços com o governo Donald Trump, em meio à expectativa de uma possível volta do republicano à Casa Branca em 2025. O grupo pretende formalizar alianças subnacionais — diretamente entre estados brasileiros e o governo norte-americano — sob o pretexto de combater o crime organizado e o tráfico internacional de drogas.

No entanto, especialistas em relações internacionais alertam que essa aproximação poderia abrir espaço para uma eventual intervenção militar norte-americana sob o argumento de combate ao narcoterrorismo. Além disso, o Brasil poderia sofrer sanções econômicas automáticas, já que a legislação dos EUA prevê restrições financeiras a países ou entidades associadas a grupos classificados como terroristas.

As revelações vêm à tona poucos dias após a chacina policial ocorrida no Rio de Janeiro, em 28 de outubro, que deixou ao menos 121 mortos em uma operação que tinha como alvo o Comando Vermelho (CV) — uma das facções mencionadas no documento entregue aos diplomatas norte-americanos.

O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) e o Palácio Guanabara ainda não se pronunciaram oficialmente sobre o caso.

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