Presidente brasileiro debate defesa, tecnologia, comércio e governança global em reuniões bilaterais realizadas na Europa

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta segunda-feira (15) de encontros bilaterais com o presidente da França, Emmanuel Macron, e com o presidente da Suíça, Guy Parmelin, antes da abertura oficial da Cúpula do G7, realizada na cidade de Évian, na França. As reuniões tiveram como foco o fortalecimento das relações diplomáticas, econômicas e tecnológicas do Brasil com os dois países, além da discussão de temas estratégicos da agenda internacional.
A primeira reunião ocorreu durante o deslocamento de Lula para a França. Em conversa com Guy Parmelin, os dois chefes de Estado discutiram formas de ampliar o comércio bilateral e diversificar as exportações brasileiras. Segundo o Palácio do Planalto, ambos avaliaram que o acordo entre Mercosul e EFTA representa uma oportunidade para expandir os negócios entre os blocos em um momento marcado pelo crescimento de barreiras comerciais e medidas protecionistas em diversas regiões do mundo.
O EFTA é formado por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein, países que não integram a União Europeia, mas possuem elevado grau de desenvolvimento econômico e forte participação no comércio internacional. Durante o encontro, Lula e Parmelin também concordaram em ampliar a cooperação nas áreas de inteligência artificial, energia, saúde e defesa.
O presidente suíço elogiou o Brasil pelos preparativos para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), prevista para ocorrer em Belém, e destacou os avanços apresentados pelo governo brasileiro no combate ao desmatamento.
Já em Évian, Lula se reuniu por cerca de 40 minutos com o presidente francês Emmanuel Macron. Os líderes reforçaram a importância da parceria estratégica entre os dois países, especialmente no setor de defesa. Entre os temas abordados esteve o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub), resultado da cooperação entre Brasil e França para a construção e transferência de tecnologia de submarinos para a Marinha brasileira.
Os presidentes também discutiram medidas para fortalecer a integração entre a Guiana Francesa e o estado do Amapá, região considerada estratégica para a cooperação transfronteiriça. Outro tema tratado foi o interesse francês em colaborar com o Brasil no desenvolvimento de infraestrutura tecnológica avançada, incluindo projetos ligados a supercomputadores e inteligência artificial.
Durante a conversa, Lula recordou a criação da Unitaid, organização internacional fundada em 2006 por Brasil e França com o objetivo de ampliar o acesso de países em desenvolvimento a medicamentos, diagnósticos e tecnologias de saúde. A iniciativa é considerada uma das principais experiências de cooperação internacional na área sanitária entre os dois países.
BRASIL BUSCA PROTAGONISMO GLOBAL
A participação de Lula na Cúpula do G7 ocorre em um momento de crescente instabilidade econômica e geopolítica internacional. Embora o Brasil não integre o grupo formado por Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Japão, o país foi convidado para participar das discussões devido ao seu peso político e econômico, além do papel estratégico que exerce na agenda climática global.
Nos debates previstos para os próximos dias, Lula deverá defender o fortalecimento do multilateralismo e a necessidade de reformas em instituições internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização Mundial do Comércio (OMC). O governo brasileiro argumenta que a atual estrutura de governança global já não representa adequadamente o equilíbrio econômico e político do século XXI.
A agenda do encontro também inclui discussões sobre crescimento econômico sustentável, inteligência artificial, proteção digital de crianças e adolescentes, combate ao narcotráfico, fluxos migratórios, pesquisa sobre câncer e o acesso a minerais considerados estratégicos para a transição energética mundial.
Analistas avaliam que a presença de Lula no G7 reforça a estratégia do governo brasileiro de ampliar o diálogo com diferentes blocos econômicos e defender maior participação dos países emergentes nos fóruns internacionais de decisão. A atuação do presidente ocorre ainda em meio a disputas comerciais globais e ao aumento das tensões entre grandes potências, cenário que tem impulsionado debates sobre comércio, tecnologia e segurança internacional.




