Entidade europeia questiona proposta de abertura do capital da empresa que administra os direitos comerciais dos principais torneios da Fifa e cobra preservação de documentos
A União das Associações Europeias de Futebol (Uefa) ameaçou adotar medidas judiciais contra a Federação Internacional de Futebol (Fifa) após o presidente da entidade, Gianni Infantino, apresentar um plano para permitir a participação de investidores privados nos direitos comerciais das principais competições organizadas pela federação. Embora a proposta tenha sido retirada na última sexta-feira (31), o episódio ampliou a crise política envolvendo a atual gestão da Fifa.
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Em carta encaminhada a Gianni Infantino, a Uefa informou que estuda recorrer à Justiça, à arbitragem e a órgãos reguladores para questionar a criação da empresa Fifa Forward Enterprise, responsável pela gestão comercial de torneios como a Copa do Mundo.
A entidade europeia também determinou a preservação de todos os documentos relacionados ao projeto. O pedido inclui e-mails, mensagens trocadas por aplicativos como WhatsApp, Signal, Microsoft Teams e Slack, além de atas de reuniões e comunicações mantidas entre dirigentes da Fifa, confederações, patrocinadores, emissoras de televisão e instituições financeiras.
Segundo a Uefa, a Fifa deverá confirmar, em até cinco dias úteis, que adotou medidas para impedir a exclusão de qualquer arquivo relacionado ao projeto, independentemente das políticas internas de retenção de documentos.
A proposta previa a venda de cerca de 20% da Fifa Forward Enterprise para investidores privados. A operação poderia arrecadar até US$ 4,2 bilhões, valor equivalente a aproximadamente R$ 22,8 bilhões.
Antes de desistir da iniciativa, Infantino enviou correspondência às 211 associações nacionais filiadas à Fifa, oferecendo até US$ 40 milhões para cada federação que apoiasse o projeto. O pagamento seria realizado em duas parcelas, sendo a primeira de US$ 20 milhões, condicionada à aprovação da proposta até 19 de setembro.
De acordo com informações divulgadas, o grupo de investidores interessado era liderado pela empresa norte-americana Thrive Eternal, fundada por Joshua Kushner, empresário e irmão de Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Pressão por mudança
Além da Uefa, a Confederação das Associações de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf) também manifestou perda de confiança na liderança de Gianni Infantino.
A Federação de Futebol do País de Gales anunciou a retirada do apoio à candidatura do dirigente para um novo mandato, entre 2027 e 2031. Paralelamente, dirigentes europeus trabalham para reunir os votos necessários no Conselho da Fifa a fim de convocar uma reunião extraordinária que poderá discutir formalmente um pedido de renúncia do atual presidente da entidade.
O episódio amplia a pressão política sobre Gianni Infantino em um momento de crescente contestação à condução administrativa e comercial da principal entidade do futebol mundial.
Possível influência de Trump
O principal grupo interessado era a Thrive Eternal, veículo de investimentos criado por Joshua Kushner, fundador da Thrive Capital e irmão de Jared Kushner, empresário casado com Ivanka Trump e genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Embora essa ligação familiar tenha alimentado especulações políticas, não há confirmação pública de que Donald Trump tenha participado das negociações ou manifestado interesse em adquirir participação na empresa.




