Mulheres tomam as ruas na centésima Corrida de São Silvestre

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Quase metade do pelotão é feminino na prova mais tradicional do país

A centésima edição da Corrida Internacional de São Silvestre, marcada para a manhã desta quarta-feira (31), registra números inéditos: 55 mil inscritos, de 44 países, com 47% de participação feminina, o maior percentual desde a criação do evento. A presença massiva de mulheres movimenta o clima pré-prova e impulsiona expectativas entre atletas brasileiras que sonham em quebrar um jejum de quase duas décadas sem vitória nacional.

A programação começa às 7h25 com a largada da categoria Cadeirantes, seguida das elites feminina e masculina, além dos grupos por deficiência, Pelotão Premium e pelotão geral. Foto Paulo Pinto/Agencia Brasil

Núbia de Oliveira, melhor colocada do Brasil no ano passado, afirma estar motivada com o crescimento do público feminino e diz que encara a nova marca como combustível para buscar o topo do pódio. Ela e Jeane tentam encerrar o domínio africano que se mantém desde 2006 na categoria feminina, com destaque para quenianas como Cynthia Chemweno, vice no ano passado, que chegou ao Brasil disposta a “voar” no percurso.

A disputa também inclui nomes da Tanzânia, como Sisilia Ginoka Panga, que faz sua estreia no evento e relata adaptação positiva ao clima e ao percurso paulistano. O confronto direto com africanas reacende debates entre atletas do país sobre os métodos de treinamento. Brasileiros e brasileiras apontam a falta de preparação coletiva como um obstáculo, enquanto corredores do Quênia e da Tanzânia defendem que a união nos treinos e o apoio mútuo são fatores determinantes para o desempenho superior nas últimas edições.

No masculino, o Brasil não vence desde 2010. Johnatas Cruz, melhor atleta nacional nas últimas edições, destaca que sem mudança de estratégia e uma formação mais unificada de pelotões nacionais, será difícil reverter o cenário. A opinião é compartilhada por Wendell Jerônimo Souza e também por estrangeiros radicados no país, como o queniano Wilson Maina, que credita o sucesso africano à preparação conjunta e ao espírito de equipe.

A programação começa às 7h25 com a largada da categoria Cadeirantes, seguida das elites feminina e masculina, além dos grupos por deficiência, Pelotão Premium e pelotão geral. O percurso mantém os 15 quilômetros adotados desde 1991, com saída e chegada na Avenida Paulista, passando por pontos turísticos e pela subida da Avenida Brigadeiro Luís Antônio, um dos trechos mais desafiadores da prova.

A expectativa é de quebra de recordes de desempenho e forte disputa internacional, enquanto a participação feminina estabelecida nesta edição abre caminho para uma nova fase da modalidade no Brasil.

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