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sexta-feira, maio 15, 2026
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PF investiga se recursos de Vorcaro foram usados para sustentar vida de luxo de Eduardo Bolsonaro nos EUA

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Investigadores querem rastrear destino de pagamentos ligados ao filme “Dark Horse” e verificar se parte dos recursos foi utilizada para despesas do deputado licenciado nos Estados Unidos

O fundo possui representação jurídica do escritório Law Offices of Paulo Calixto PLLC, comandado pelo advogado Paulo Calixto, apontado como próximo de Eduardo Bolsonaro. Foto Bruno Spada/Camara dos Deputados

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A Polícia Federal deve aprofundar as investigações sobre pagamentos realizados pelo banqueiro Daniel Vorcaro ao senador Flávio Bolsonaro para financiar o filme Dark Horse, produção inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo informações reveladas pelo The Intercept Brasil e confirmadas pelo jornal O Estado de S. Paulo, uma das linhas de apuração será verificar se parte dos recursos acabou direcionada a despesas ligadas ao deputado licenciado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

Eduardo vive em território norte-americano desde o ano passado e passou a ser investigado no Brasil por sua atuação política internacional. Entre os episódios sob análise estão articulações junto a setores conservadores dos EUA para pressionar autoridades brasileiras e defender sanções contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) por meio da Lei Magnitsky, legislação usada pelos Estados Unidos para punir estrangeiros acusados de corrupção e violações de direitos humanos.

As mensagens encontradas pela PF no celular de Vorcaro indicariam que Flávio Bolsonaro solicitou ao banqueiro cerca de US$ 24 milhões para financiar o filme. Os investigadores apontam que aproximadamente US$ 10,6 milhões teriam sido efetivamente transferidos entre fevereiro e maio de 2025.

PF rastreia o dinheiro

A principal preocupação da PF é rastrear o caminho percorrido pelo dinheiro após as transferências. Os investigadores querem esclarecer se os recursos foram integralmente usados na produção cinematográfica ou se houve desvio para despesas políticas, pessoais ou operacionais ligadas ao núcleo bolsonarista nos Estados Unidos.

Segundo as investigações, ao menos US$ 2 milhões teriam sido enviados pela empresa Entre Investimentos e Participações ao fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas. O fundo possui representação jurídica do escritório Law Offices of Paulo Calixto PLLC, comandado pelo advogado Paulo Calixto, apontado como próximo de Eduardo Bolsonaro.

Nos diálogos analisados pela Polícia Federal, Vorcaro teria sugerido que os pagamentos fossem realizados “via Entre” após dificuldades operacionais envolvendo o câmbio do Banco Master. Informações divulgadas pelo jornal O Globo também apontam que o Banco Master realizou pagamentos milionários à Entre Investimentos, conforme registros declaratórios da instituição financeira.

A investigação busca identificar se a estrutura financeira criada para o filme foi utilizada exclusivamente para a obra audiovisual ou se serviu como mecanismo para circulação internacional de recursos ligados ao grupo político investigado.

Flavio Bolsonaro desmente e em seguida assume o contrato

Após a divulgação dos áudios, Flávio Bolsonaro confirmou que buscou recursos junto a Daniel Vorcaro, embora inicialmente tivesse negado qualquer relação financeira com o banqueiro. Em entrevista à GloboNews, o senador admitiu ter mentido ao negar os aportes.

“Eu menti. Eu podia descumprir uma cláusula contratual? Isso gera multa, isso gera exposição dos investidores”, afirmou.

Flávio sustenta que todos os recursos foram usados exclusivamente na produção do filme e nega qualquer transferência para Eduardo Bolsonaro.

“Não foi para o Eduardo Bolsonaro. Todos os recursos que foram aportados nesse fundo, que é específico para a produção do filme, foram usados integralmente para fazer o filme”, declarou.

O senador também explicou a participação do advogado Paulo Calixto na estrutura jurídica do projeto, afirmando que ele foi contratado para organizar o fundo internacional utilizado na produção e por já atuar em processos migratórios ligados a Eduardo Bolsonaro.

As declarações, porém, entraram em choque com notas anteriores divulgadas pelo deputado Mário Frias e pela GOUP Entertainment. Em comunicado oficial, a produtora afirmou que não recebeu “um único centavo” de Daniel Vorcaro, do Banco Master ou de empresas sob controle do banqueiro.

Posteriormente, Frias tentou harmonizar as versões afirmando que Vorcaro não figurava formalmente como investidor direto do filme e que o relacionamento jurídico teria ocorrido por meio da empresa Entre Investimentos.

Quem sustenta a vida de luxo de Eduardo Bolsonaro nos EUA

Eduardo Bolsonaro também se manifestou nas redes sociais negando ter recebido recursos do fundo ligado ao filme. O deputado licenciado afirmou que apenas cedeu seus direitos de imagem para a produção e negou exercer qualquer função administrativa na estrutura financeira criada nos Estados Unidos.

Segundo Eduardo, a internacionalização do projeto teria sido necessária porque investidores não estariam dispostos a financiar um filme sobre Jair Bolsonaro dentro do Brasil.

O caso ampliou a pressão política sobre o núcleo bolsonarista porque ocorre simultaneamente às investigações da Operação Compliance Zero, que apura supostas fraudes financeiras bilionárias, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e manutenção de estruturas clandestinas de monitoramento ligadas ao antigo Banco Master.

Nos bastidores da investigação, integrantes da PF avaliam que a apuração sobre o fluxo internacional de recursos poderá abrir novas frentes envolvendo financiamento político indireto, uso de fundos internacionais e eventual conexão entre operações financeiras investigadas e atividades políticas desenvolvidas por aliados de Jair Bolsonaro nos Estados Unidos.

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