Procuradoria Eleitoral pede impugnação da candidatura de Ney Santos, aliado de Tarcísio

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Ex-prefeito de Embu das Artes é alvo de pedido apresentado ao TRE-SP; MPF aponta preocupação com eventual infiltração de organizações criminosas no processo eleitoral, enquanto candidato nega qualquer vínculo com facções

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A Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo apresentou nesta quinta-feira (13) uma ação para impugnar o registro da candidatura de Claudinei Alves dos Santos, o Ney Santos (Republicanos), que pretende disputar uma vaga de deputado federal nas eleições de 2026. O pedido, assinado pelo procurador regional eleitoral Paulo Taubemblatt, será analisado pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP). Segundo as informações apresentadas no processo, o Ministério Público Federal sustenta que a candidatura deve ser examinada diante de investigações e processos envolvendo o ex-prefeito de Embu das Artes e de suspeitas de eventual relação com organização criminosa. As acusações de ligação com o PCC são negadas pelo político.

A ação eleitoral ocorre em um contexto de estreita relação política entre Ney Santos e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Registros públicos mostram que os dois participaram de eventos políticos juntos e que Santos teve papel de apoio à campanha de Tarcísio ao governo paulista em 2022. Em 2025, durante uma cerimônia de entrega de moradias em Embu das Artes, Santos chegou a defender publicamente uma candidatura de Tarcísio à Presidência da República.

Histórico judicial e investigações

A situação eleitoral de Ney Santos é acompanhada por um histórico de processos e investigações. Conforme informações divulgadas sobre o caso, ele foi condenado em primeira instância a três anos e nove meses de prisão por crime relacionado à posse ilegal de arma de fogo. A defesa recorreu da decisão.

Em fevereiro de 2019, durante uma abordagem policial, agentes encontraram em um veículo oficial utilizado pelo então prefeito uma pistola calibre .380 com numeração raspada, além de munições, colete à prova de balas, algemas e uma faca. O episódio posteriormente resultou em processo judicial.

O ex-prefeito também é citado em investigações relacionadas a suposta lavagem de dinheiro e organização criminosa. Reportagens anteriores registram que o Ministério Público atribuiu a ele possível utilização de empresas do setor de combustíveis para lavagem de recursos supostamente ligados ao PCC. Ney Santos nega as acusações. A própria imprensa já registrou que uma investigação sobre esse suposto esquema foi posteriormente trancada pela Justiça em 2023.

O histórico criminal também inclui uma prisão ocorrida entre 2003 e 2005, quando Santos era investigado por roubo a uma transportadora de valores. Segundo os relatos sobre o processo, ele acabou absolvido em segunda instância por falta de provas. Em outro episódio, ocorrido em 2010, foi preso durante a campanha para deputado federal, em investigação que envolvia acusações como lavagem de dinheiro, estelionato, adulteração de combustível, sonegação fiscal e formação de quadrilha.

Outro ponto que chama atenção na trajetória política do candidato é a declaração de patrimônio à Justiça Eleitoral. Em 2016, quando disputou a Prefeitura de Embu das Artes, Santos declarou patrimônio de aproximadamente R$ 2,1 milhões, dos quais R$ 1,6 milhão estavam registrados como dinheiro em espécie. Para a candidatura de 2026, segundo os dados apresentados na reportagem, declarou cerca de R$ 2,2 milhões, sendo R$ 1,8 milhão em espécie. Esses números, por si só, não comprovam irregularidade, mas fazem parte do conjunto de informações que pode ser analisado pelas autoridades eleitorais.

A conexão política com Tarcísio

A relação entre Ney Santos e Tarcísio de Freitas não é apenas partidária. Em 2022, durante a campanha ao governo paulista, Santos apareceu ao lado do então candidato e declarou apoio à sua candidatura. Na ocasião, Tarcísio também agradeceu publicamente pelo apoio recebido na Região Metropolitana.

Em 2025, durante evento oficial em Embu das Artes, Santos voltou a atuar como um dos principais defensores de uma eventual candidatura presidencial de Tarcísio. “O estado de São Paulo está pequeno para o senhor”, afirmou o ex-prefeito, antes de declarar que Tarcísio seria presidente da República.

A associação política entre os dois já havia sido explorada em disputas eleitorais anteriores. Em 2022, adversários de Tarcísio utilizaram imagens e declarações de Santos para questionar a relação entre os dois políticos. A vinculação também foi registrada pela imprensa nacional durante aquela eleição.

Esse histórico torna a impugnação eleitoral de 2026 politicamente relevante, mas é necessário separar dois fatos: a relação política entre os personagens é pública e documentada; já as acusações de vínculo de Ney Santos com organização criminosa continuam sendo objeto de controvérsia judicial e são negadas pelo candidato.

O que será decidido pela Justiça Eleitoral

A apresentação da ação pela Procuradoria Regional Eleitoral não significa, por si só, que Ney Santos esteja definitivamente impedido de disputar a eleição. Caberá ao TRE-SP analisar os argumentos apresentados pelo Ministério Público, a defesa do candidato, os processos judiciais relacionados e os requisitos legais para o registro da candidatura.

O ponto central será verificar se os fatos apresentados pela Procuradoria produzem alguma consequência jurídica capaz de impedir o registro eleitoral. Eventuais recursos poderão levar a discussão às instâncias superiores da Justiça Eleitoral.

A questão também ocorre em um momento no qual a infiltração de organizações criminosas na política passou a receber maior atenção das instituições. No caso de Ney Santos, porém, qualquer afirmação de que ele integra o PCC deve ser atribuída às investigações ou acusações existentes, e não apresentada como fato definitivamente comprovado enquanto não houver decisão judicial nesse sentido.

Ney Santos nega ligação com facções

Em nota enviada à imprensa, a defesa política de Ney Santos rejeitou as acusações e afirmou que ele “não integra, não representa e não mantém qualquer vínculo com facção, grupo ou organização criminosa”.

A nota também afirma que acusações semelhantes “voltam a circular” principalmente em períodos eleitorais e que a repetição de uma acusação não a transforma em fato. O candidato declarou confiar na Justiça Eleitoral e afirmou reunir as condições legais para disputar o pleito.

“A verdade deve prevalecer sobre qualquer tentativa de transformar acusações em condenações antecipadas”, afirmou a assessoria de Ney Santos.

Tarcísio de Freitas não havia se manifestado sobre a ação de impugnação até o fechamento desta reportagem. O espaço permanece aberto para manifestação.

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