Sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros coloca política externa no centro do debate eleitoral e acirra troca de críticas entre os pré-candidatos ao Palácio dos Bandeirantes
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A decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros passou a influenciar diretamente o cenário político paulista e intensificou os embates entre o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), apontados como pré-candidatos ao Governo do Estado nas eleições de 2026. O impacto econômico da medida, especialmente sobre a indústria e o agronegócio paulista, levou o tema da política externa para o centro da disputa eleitoral.
O anúncio da sobretaxa ocorre em um momento de forte polarização política e de preocupação com os efeitos sobre as exportações brasileiras para o mercado norte-americano. São Paulo, principal polo industrial e exportador do país, é considerado um dos estados mais afetados pela medida.
Desde que o governo norte-americano iniciou a adoção de novas barreiras comerciais contra produtos brasileiros, o assunto ganhou espaço tanto no debate nacional quanto nas articulações eleitorais em São Paulo. Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) busca alternativas diplomáticas para reduzir os impactos das tarifas, o tema também passou a ser explorado pelos principais grupos políticos que disputarão o comando do estado.
Aliados de Fernando Haddad criticam declarações feitas anteriormente por Tarcísio de Freitas em relação ao governo norte-americano. Em 2025, o governador participou de eventos utilizando um boné com o slogan “Make America Great Again” (MAGA), associado ao presidente Donald Trump, e classificou uma das primeiras rodadas de tarifas como uma oportunidade de negócios. Na época, também defendeu o fortalecimento das negociações entre Brasil e Estados Unidos.
Após o anúncio da nova tarifa de 25%, o discurso do governador mudou. Em declarações recentes, Tarcísio afirmou que o aumento das tarifas “não faz sentido” e defendeu os interesses da economia paulista. Até o momento, porém, o Palácio dos Bandeirantes não divulgou posicionamento oficial sobre a nova rodada de sobretaxas anunciada pelo governo norte-americano.
A mudança de postura passou a ser explorada pelos adversários políticos. Fernando Haddad afirmou esperar que o governador reveja suas posições em relação ao governo dos Estados Unidos e reforce a defesa dos interesses nacionais. Integrantes de partidos aliados também cobraram explicações sobre o posicionamento adotado anteriormente por Tarcísio.
Por outro lado, integrantes da equipe política do governador rejeitam qualquer relação entre suas manifestações passadas e a decisão tomada pelo governo norte-americano. Segundo interlocutores da pré-campanha de Tarcísio, a oposição tenta transformar uma questão de política internacional em tema eleitoral estadual. Eles sustentam que não existe ligação entre o apoio político ao campo conservador e a decisão comercial adotada por Washington.
Além do debate político, os efeitos econômicos da medida preocupam empresários e representantes do setor produtivo. De acordo com estimativas da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), a nova tarifa pode atingir aproximadamente US$ 11 bilhões em exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos.
Os impactos devem ser sentidos especialmente em regiões industriais e exportadoras de São Paulo, incluindo Campinas, Sorocaba, Franca, Birigui, Grande ABC e Vale do Paraíba, onde empresas dependem significativamente do mercado norte-americano.
Segundo projeções apresentadas pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), a economia paulista poderá deixar de movimentar cerca de US$ 3 bilhões caso as restrições comerciais permaneçam em vigor.
Em meio ao cenário de incerteza, Fernando Haddad intensificou reuniões com representantes da indústria e do agronegócio para discutir medidas de apoio aos setores afetados. Entre as iniciativas defendidas pelo grupo está a Medida Provisória do Plano Brasil Soberano, criada para ampliar linhas de crédito, oferecer mecanismos de proteção às empresas exportadoras e fortalecer a competitividade brasileira diante das barreiras internacionais.
Especialistas avaliam que a guerra comercial entre Estados Unidos e Brasil deverá permanecer como um dos principais temas da campanha eleitoral paulista, uma vez que seus efeitos ultrapassam o campo diplomático e atingem diretamente empregos, investimentos e a atividade econômica do estado que concentra a maior produção industrial do país.
Enquanto o governo federal busca uma solução diplomática para reduzir os impactos das tarifas, a oposição e a base governista transformam o tema em um dos principais eixos da disputa pelo Palácio dos Bandeirantes, indicando que a política internacional deverá exercer influência inédita sobre a eleição para o Governo de São Paulo em 2026.




