Presidentes de Brasil e China reforçam parceria estratégica, defendem o multilateralismo e ampliam cooperação em áreas de alta tecnologia durante telefonema
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O presidente da China, Xi Jinping, manifestou apoio ao Brasil e declarou oposição a interferências externas no processo eleitoral brasileiro durante conversa telefônica com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, realizada na noite de domingo (26). Segundo a agência estatal chinesa Xinhua, Xi afirmou que Pequim está disposta a apoiar o governo brasileiro na defesa de sua soberania e independência, ao mesmo tempo em que os dois líderes discutiram o fortalecimento da parceria estratégica entre os países e a ampliação da cooperação bilateral.
De acordo com a agência chinesa, Xi Jinping afirmou que a China “se opõe à interferência externa” e ressaltou que Brasil e China, como importantes representantes do Sul Global, devem atuar em defesa da justiça internacional, da reforma da governança global e da estabilidade regional e mundial.
Em nota divulgada pelo Palácio do Planalto, o governo brasileiro informou que Lula e Xi trataram da implementação de projetos conjuntos de desenvolvimento e reafirmaram o compromisso de ampliar a cooperação em setores estratégicos, como inteligência artificial, tecnologia espacial, beneficiamento de minerais críticos e comércio de fertilizantes.
Os dois presidentes também defenderam o avanço das negociações para um acordo comercial entre o Mercosul e a China, considerado prioritário por ambos os governos. Segundo o Planalto, Lula reiterou que o Brasil mantém a estratégia de diversificar mercados e parceiros comerciais, sem mencionar diretamente as tarifas anunciadas recentemente pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros.
Na pauta internacional, Lula e Xi demonstraram preocupação com o aumento dos conflitos globais e seus impactos sobre a segurança alimentar e energética. Os líderes citaram os efeitos das restrições à navegação nos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb, manifestaram preocupação com a crise humanitária na Faixa de Gaza e defenderam esforços diplomáticos para buscar uma solução negociada para a guerra na Ucrânia por meio do Grupo de Amigos da Paz, iniciativa lançada por Brasil e China na Organização das Nações Unidas (ONU).
Os presidentes também criticaram a dificuldade do Conselho de Segurança da ONU em responder às atuais crises internacionais e reafirmaram o compromisso dos dois países com o fortalecimento do multilateralismo e da coordenação em fóruns como a ONU e o Brics.
A conversa ocorreu em meio ao movimento do governo brasileiro de ampliar relações comerciais com novos parceiros. No domingo (26), Lula publicou artigo no jornal The Washington Post em que classificou como um “erro estratégico” as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros e defendeu a diversificação das relações econômicas e dos investimentos internacionais.




